O plano de governo apresentado pela chapa formada por Mailza Assis e Jéssica Sales para o período de 2027 a 2030 organiza as propostas para o Acre em dez eixos estratégicos, abrangendo áreas como educação, saúde, segurança pública, proteção social, produção rural, desenvolvimento econômico, infraestrutura, habitação, meio ambiente e modernização da gestão pública.
O documento parte da proposta de combinar crescimento econômico, inclusão social, inovação, proteção ambiental e fortalecimento dos municípios. Na apresentação, Mailza afirma que o objetivo é preparar o Acre para um novo ciclo de desenvolvimento, com maior integração entre políticas públicas e uso de planejamento, tecnologia e acompanhamento de resultados.
A estrutura do plano prevê dez eixos com programas e ações específicas, sob a premissa de que as diferentes áreas do governo devem atuar de maneira coordenada, e não isoladamente. O texto também prevê utilização do Zoneamento Ecológico-Econômico e da Agenda Acre 10 Anos para orientar investimentos e reduzir desigualdades regionais.
Na educação, a proposta inclui ampliação gradual do ensino em tempo integral, fortalecimento da alfabetização, educação especial inclusiva e educação escolar indígena, além de investimentos em transporte, alimentação escolar e apoio psicossocial. O plano prevê ainda expansão da educação profissional integrada ao ensino médio, à Educação de Jovens e Adultos e ao ensino tecnológico, com cursos relacionados a setores como bioeconomia, agroindústria, turismo, logística e economia digital.
Entre as propostas mais específicas estão a implantação de núcleos regionais de atenção psicossocial para estudantes e profissionais da educação, expansão do Programa Prato Extra, fortalecimento do Pré-Enem Legal e oferta de qualificação profissional nos 22 municípios. O documento também propõe criar um Centro de Referência em Bioeconomia e Sociobiodiversidade e um Centro Estadual de Laboratórios Multiusuários, além de ampliar laboratórios, ambientes maker, bolsas científicas e estruturas voltadas à inovação.
Na saúde, Mailza e Jéssica colocam entre as prioridades a redução das filas para consultas, exames e cirurgias, a regionalização dos atendimentos especializados e a implantação de um prontuário eletrônico unificado em toda a rede estadual. Também estão previstas ampliação da telessaúde, fortalecimento da atenção primária e reorganização dos fluxos entre municípios e unidades estaduais.
A área recebe atenção especial às mulheres e crianças. O plano propõe uma Linha Estadual de Cuidado Integral à Saúde da Mulher, abrangendo da adolescência à menopausa, além de ampliação do tratamento de endometriose, atendimento para problemas do assoalho pélvico e fortalecimento da prevenção e tratamento dos cânceres de mama e colo do útero.
Também está prevista uma rede estadual de desenvolvimento infantil, reabilitação e neurodesenvolvimento, destinada a crianças com deficiência, autismo e outros transtornos. Entre as obras apontadas estão a conclusão da segunda e terceira etapas da Maternidade Marieta Messias Cameli, implantação de um pronto-socorro infantil, entrega da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia de Rio Branco e construção de Centros Especializados em Reabilitação em Cruzeiro do Sul e Brasileia.
Na segurança pública, o documento propõe ampliar inteligência policial, integração entre as forças, sistemas de monitoramento, georreferenciamento, biometria e reconhecimento facial. Também prevê maior cooperação com a União, Rondônia, Amazonas, Peru e Bolívia para combater organizações criminosas e crimes transfronteiriços.
O plano inclui modernização de quartéis, delegacias, unidades penitenciárias e estruturas da Polícia Técnico-Científica, além de renovação de frota, armamentos, telecomunicações e equipamentos. Para o trânsito, prevê ampliação do programa CNH Social e modernização das Ciretrans no interior.
Na proteção social, a proposta reúne oito programas destinados a famílias vulneráveis, mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência e outros públicos. Entre os programas citados estão Acre Mulher Protegida, Mulher que Trabalha, Mulher que Cresce, Esporte, Inclusão e Qualidade de Vida e Proteção e Defesa Civil.
A intenção declarada é ampliar a rede de proteção social, aumentar as políticas de autonomia econômica das mulheres, investir em esporte e lazer e preparar comunidades para enchentes, secas, queimadas e outros eventos extremos.
A produção rural ocupa uma parcela expressiva do plano. O documento propõe fortalecer agricultura familiar e agronegócio, ampliar mecanização, assistência técnica, crédito, infraestrutura e acesso aos mercados.
Entre as ações estão ampliação do programa Pecuária Mais Eficiente, incentivos à bacia leiteira, suinocultura, avicultura, piscicultura e apicultura, além de programas específicos para café e cacau. O governo também pretende incentivar sistemas agroflorestais e a instalação de usinas de etanol de milho integradas às cadeias pecuárias.
Outra proposta é criar programas de açudagem e cisternas rurais, apoiar sistemas de irrigação e disponibilizar estruturas públicas para colheita, secagem e armazenamento de grãos. O plano menciona ainda programas de rastreabilidade e certificação agropecuária e reforço da vigilância sanitária nas fronteiras com Peru e Bolívia.
No desenvolvimento econômico, a estratégia se apoia em industrialização, inovação, empreendedorismo, bioeconomia, turismo, economia criativa e integração comercial com os países andinos. O documento propõe consolidar uma Política Estadual de Desenvolvimento Regional para orientar investimentos segundo as vocações de cada território.
A intenção é aproximar universidades, centros de pesquisa, empresas e startups, ampliar a pesquisa aplicada e estimular a transformação digital das empresas. Também há previsão de qualificação de trabalhadores para setores ligados à economia digital, indústria, logística, bioeconomia e turismo.
Um dos objetivos recorrentes no plano é transformar a posição geográfica do Acre em vantagem econômica. A chapa propõe consolidar o estado como plataforma logística e comercial entre o Brasil, Peru, Bolívia e os mercados do Oceano Pacífico, com fortalecimento de corredores de exportação e atração de investimentos.
Essa estratégia aparece novamente no eixo de infraestrutura. Entre as propostas estão elaboração e execução de um Plano Estadual de Logística e Transporte, modernização de rodovias, ramais, pontes, aeródromos, portos fluviais e estruturas aduaneiras, além da implantação de plataformas logísticas e pátios reguladores nas áreas de fronteira.
O plano também prevê articulação com o governo federal e organismos internacionais para compatibilizar a malha rodoviária acreana com corredores internacionais existentes no Peru e na Bolívia.
No desenvolvimento urbano, a chapa propõe ampliar habitação de interesse social e regularização fundiária, avançar no saneamento básico e apoiar os municípios na melhoria da mobilidade, drenagem, arborização, acessibilidade e espaços públicos.
O documento prevê a criação de um Programa Estadual de Habitação e Desenvolvimento Urbano Integrado e modernização do Sistema de Habitação do Acre, incluindo base de dados georreferenciada para identificação de demandas habitacionais e definição de áreas prioritárias para investimentos.
A meta geral declarada para o saneamento é avançar gradualmente em direção à universalização do acesso à água tratada, esgotamento sanitário, drenagem e gestão dos resíduos sólidos. O plano também defende incentivo a deslocamentos a pé e por bicicleta e modernização dos sistemas de transporte urbano.
No eixo ambiental, a proposta é combinar conservação da floresta com geração de renda. O documento cita bioeconomia, mercados de carbono, serviços ambientais, concessões florestais sustentáveis, manejo florestal, turismo de natureza e energias renováveis como instrumentos de desenvolvimento econômico.
Entre os compromissos estão redução do desmatamento ilegal, regularização ambiental, fortalecimento dos povos indígenas e comunidades tradicionais e preparação do estado para secas, enchentes, queimadas e outros eventos climáticos extremos. O plano também prevê consolidar um Programa Estadual de Bioeconomia e ampliar investimentos em créditos de carbono e mecanismos de remuneração por serviços ambientais.
O último eixo trata da gestão pública. Mailza e Jéssica propõem fortalecer o Planeja Acre, criar um Escritório Estadual de Projetos e implantar sistemas de acompanhamento de cronogramas, riscos, indicadores e resultados dos programas governamentais.
O documento também prevê ampliar serviços digitais, integrar sistemas estaduais, utilizar inteligência artificial na administração pública e criar o InfoAcre, plataforma destinada a reunir bases de dados governamentais para orientar planejamento, monitoramento das políticas públicas e aplicação dos recursos. Também está prevista a consolidação do Observatório de Indicadores do Acre.
A gestão fiscal e previdenciária aparece como outro compromisso, acompanhada de propostas de modernização tributária, valorização dos servidores, ampliação da transparência e adoção de mecanismos permanentes de avaliação. O plano afirma que programas governamentais deverão ser acompanhados por indicadores e metas.
Apesar do elevado nível de detalhamento na descrição de programas e iniciativas, o documento trabalha predominantemente com compromissos qualitativos. Em grande parte das propostas examinadas, não são apresentados no próprio plano valores estimados de investimento, fontes individualizadas de financiamento ou metas numéricas que permitam, desde já, medir quanto cada programa deverá entregar. O texto prevê que os programas sejam posteriormente acompanhados por metas e indicadores, mas o foco do documento eleitoral está principalmente nas ações que a chapa pretende implementar.
Ao apresentar o plano, Mailza sustenta que o projeto busca preservar avanços obtidos nos últimos anos e iniciar uma nova etapa, com maior integração entre crescimento econômico, políticas sociais, inovação e sustentabilidade. A proposta central expressa no documento é colocar as pessoas no centro das decisões e utilizar municípios, planejamento regional e integração com Peru e Bolívia como elementos de uma estratégia de desenvolvimento para os quatro anos seguintes.
