No domingo (18/10), durante o primeiro debate frente a frente do segundo turno, os candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), passaram boa parte do primeiro bloco trocando acusações de corrupção envolvendo a própria candidatura e parentes de ambos.
Flávio Bolsonaro, ao atacar o governo, citou a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente. Em resposta, Lula questionou a negociação de R$ 134 milhões feita pelo senador com o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, supostamente para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
No mesmo debate, o petista desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário e telefônico de ambos e de seus familiares, caso o senador fizesse o mesmo. Dois dias depois, na terça‑feira (20/10), Lula protocolou a autorização de abertura de sigilo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Fiz questão de colocar meus cinco filhos porque toda eleição se inventa uma coisa contra minha família e eu resolvi não ficar quieto. Esta é a minha última disputa eleitoral e não posso deixar que um ladrão tente jogar minha biografia no lixo”, declarou o presidente, acrescentando que a defesa da honra da família e do país era o motivo da sua postura.
Atualmente, Lula não responde a nenhuma acusação na Justiça. As condenações mais conhecidas – o tríplex do Guarujá e o sítio de Atibaia, ambos oriundos da Operação Lava Jato – foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu irregularidades processuais.
Nos casos do tríplex e do sítio, a defesa sustentou que os imóveis nunca pertenceram ao presidente e que não havia prova de que as obras foram pagas com recursos desviados da Petrobras. As decisões de anulação foram fundamentadas, entre outros argumentos, na parcialidade do juiz Sergio Moro e na incompetência da vara de Curitiba, reconhecida pelo ministro Edson Fachin.
Em outra frente, a Operação Zelotes levou Lula a ser réu em 2017 por suposto tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa, acusação que apontava uma medida provisória de 2009 como favorecimento a montadoras em troca de R$ 6 milhões de propina. O juiz Frederico Botelho de Barros Viana, da 10ª Vara Federal, absolveu o ex‑presidente em 2021 por falta de evidências mínimas.
Mesmo sem processos em curso, suspeitas envolvendo Lulinha pressionam a campanha. O filho mais velho do presidente reside em Madri, na Espanha, e está alvo de três inquéritos no STF, abertos a pedido da Polícia Federal e autorizados em julho e agosto. As investigações apuram possíveis favorecimentos a empresas de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)”, na venda de derivados de cannabis ao Ministério da Saúde, além de supostos benefícios a empresários em contratos da Dataprev e de um grupo que teria favorecido empresas no governo federal.
O nome de Lulinha surgiu na Operação Sem Desconto, quando testemunhas relataram pagamentos de R$ 25 milhões e uma “mesada” de R$ 300 mil por Antunes. Lulinha admitiu ter acompanhado Antunes em viagem a Portugal em 2024, mas negou ter recebido qualquer pagamento, alegando desconhecimento das atividades do empresário com o INSS.
Em março, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS rejeitou, por 19 votos a 12, o relatório do deputado Alfre.
Fonte: Ascom MPF
