O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou ou ampliou linhas de crédito que somam, ao menos, R$ 332,8 bilhões, de acordo com os últimos dados divulgados pelos órgãos oficiais.
As medidas entraram em vigor em 2026 e têm como objetivo manter a atividade econômica em ritmo elevado durante o ano eleitoral.
O conjunto de programas inclui financiamentos para a indústria, habitação, trabalhadores, empresas aéreas, produtores rurais e micro e pequenas empresas.
A expansão ocorre enquanto o Banco Central tenta conter a demanda para controlar a inflação, reduzindo a pressão sobre a taxa Selic, que está em 14,25% ao ano após recorte de 0,25 ponto percentual – ritmo considerado lento pelo mercado.
Na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), ficou claro que a política monetária restritiva busca desacelerar o crédito livre para moderar a demanda e garantir a convergência da inflação à meta de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Para o especialista em investimentos Lucas Buffon, sócio da GT Capital, a ampliação do crédito segue em sentido oposto ao adotado pelo BC, podendo reduzir o espaço para cortes mais profundos nos juros caso a atividade econômica permaneça robusta e a inflação continue pressionada.
A economista Maressa Campos observa que, embora o crédito estimule consumo e investimento, o efeito inflacionário pode ser mitigado. Ela destaca que o crédito consignado CLT tem taxas entre 1,63% e 6,87% ao mês, com custo médio de 4,48%, ainda acima da taxa média de 3,66% do mercado.
O crédito consignado CLT, regulamentado em 2025 e ampliado em junho de 2026, já movimentou mais de R$ 120 bilhões desde seu lançamento, com garantias vinculadas ao FGTS e contratação digital, mas ainda não há divulgação de valores específicos após a ampliação.
Em declarações recentes, o ministro da Fazenda Durigan atribuiu a alta da inflação à guerra no Oriente Médio, defendendo que o acesso ao crédito é essencial e que os programas para caminhões e motocicletas não comprometem as contas públicas, argumento contestado pelo Tribunal de Contas da União, que alerta para possíveis práticas de desorçamentação que reduziriam a transparência dos impactos fiscais.
Fonte: Poder Economia
