Ex-deputado Donald Fernandes diz que “a política acreana é rasteira”

O médico acreano Donald Fernandes completou em 2019, 50 anos de medicina. Meio século dedicado a salvar vidas. Formado no Rio de Janeiro no ano de 1969, Fernandes retornou para o Acre em 1992. Queria exercer a medicina em sua terra natal. O médico trazia na bagagem o sonho de realizar um trabalho com dependentes químicos. “São pessoas altamente discriminadas pela sociedade. São doentes como qualquer outro e merecem tratamento e respeito”, fala Donald Fernandes.

Aos 76 anos de idade, respeitando ao lado da esposa – a arquiteta Ana Lúcia Costa -a quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus, Donald Fernandes concedeu ao oacreagora.com uma entrevista onde fala abertamente sobre a sua visão da política atual, dependência química e um possível retorno ao Acre. “A política acreana é muito rasteira, por isso não acompanho muito”, disse o médico.

No Acre, Fernandes exerceu mandatos de vereador e deputado estadual. Ele diz não se arrepender dos 10 anos de vida pública. “Eu fui um político de causa. Entrei na política com o propósito de cuidar da prevenção e tratamento ao uso de drogas e acho que consegui”, analisa.

Como o senhor tem enfrentado este período de isolamento social e como médico o que acredita que irá a acontecer nos próximos meses?  

DF: Na ausência de medidas efetivas contra a Covid-19, estou como a maioria das pessoas, na prática de isolamento social e higienizando constantemente as mãos. O isolamento deveria ser concomitante com o tratamento logo nos primeiros sintomas. Para todas as pessoas. Com remédios fornecidos pelo governo, por exemplo, antibióticos, anti-inflamatórios e zinco. Com isso, se reduziria muito as complicações da doença e um número menor de pessoas precisariam de hospital e respiradores.

Depois de alguns anos morando fora do estado, o senhor ainda acompanha de alguma forma a política acreana? O que tem visto e como avalia a mesma?

A política acreana é muito rasteira. Por isso, desde que saí do Acre não tenho mais acompanhado com frequência.

Deputado estadual Donald Fernandes / Foto: internet

O senhor dedicou mais de 20 anos de sua vida para amenizar o sofrimento e tratar os dependentes químicos do estado. Foi um dos precursores nesta luta. Acredita que tenha valido a pena?

A dependência química é uma doença realmente. Por isso, como médico tentei levar alento e compaixão para essas pessoas que sofrem tanto. Ajudei a tirar das ruas muitos desses sofredores e isso me deixa feliz e satisfeito. Porém, na parte da prevenção, muito pouco foi feito. Os governos não estão muito preocupados com isso. Infelizmente.

Ao lado da esposa Ana Lúcia na fundação da Apadeq de Xapuri / Foto: internet

O número de usuários de drogas lícitas e ilícitas tem crescido assustadoramente nos últimos anos.  A que o senhor atribui isso?

A dependência química é uma doença social, e como tal, deveria ser enfrentada com uma educação dirigida e muito bem preparada. E também com um combate efetivo no Transporte de drogas e tráfico de armas. Tudo isso deveria ser feito de maneira conjunta, mas parece que os governos não estão muito interessados neste assunto. Talvez (os governos) achem que isso não dê votos, embora eu tenha sido eleito três vezes com esta bandeira de luta.

Planos de voltar a morar no Acre?

Planos ainda não. Mas tenho um desejo imenso de voltar. O Acre me cativa e seduz. Minha família inteira gostou muito de morar aí. No entanto, para este momento, não temos nada planejado neste sentido. Quem sabe com o tempo, somando o meu desejo ao da minha esposa, em breve a gente possa voltar em definitivo para o Acre.

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