Justiça condena mulher a mais de 27 anos por morte de adolescente no Acre

Mais de seis anos após o assassinato de Mariane Félix do Nascimento, de 14 anos, a Justiça do Acre condenou, na terça-feira (8), Ludimila Michele da Silva Monteiro, conhecida como “invocada”, a 27 anos, quatro meses e 15 dias de prisão por envolvimento na morte da adolescente. O crime ocorreu em junho de 2019, no Ramal da Zezé, bairro Belo Jardim II, no Segundo Distrito de Rio Branco.

A sentença foi proferida pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco, que reconheceu homicídio qualificado com motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e participação em organização criminosa. A decisão ainda pode ser contestada por recurso.

Segundo a investigação, Mariane teria deixado o grupo Bonde dos 13 (B13) para integrar o Comando Vermelho (CV). Meses depois, ao tentar retornar ao B13, tornou‑se alvo de integrantes da organização, que a consideraram traidora.

As apurações apontaram Ludimila como a pessoa que determinou a execução, em suposta represália para intimidar outros membros que quisessem abandonar o grupo. Durante o processo, a acusada negou participação direta, mas admitiu ter integrado o Bonde dos 13 até ser presa em agosto de 2019. Em outro momento, chegou a assumir a autoria, alegando que isso poderia elevar sua posição na hierarquia criminosa. Após deixar o sistema prisional, mudou‑se para Guarulhos, no estado de São Paulo.

Ludimila foi pronunciada para julgamento pelo Tribunal do Júri em dezembro de 2025. Na mesma ocasião, Alexandre da Silva Cunha foi pronunciado sob a acusação de ter intermediado o encontro da adolescente com os executores. Contudo, a Justiça o impronunciou por insuficiência de indícios de autoria.

A defesa de Ludimila manifestou discordância com a condenação, alegando que o resultado diverge das provas reunidas nos autos, e informou que recorrerá ao Tribunal de Justiça do Acre (TJAC).

Mariane foi morta aos 14 anos com um disparo de arma de fogo na cabeça e facadas na região do pescoço. Na noite do crime, um morador viu a adolescente acompanhada de outras pessoas no quintal de sua casa e pediu que o grupo se retirasse, pois iria dormir. Pouco depois, ouviu disparos, mas não saiu por medo.

O corpo foi encontrado somente no dia seguinte. O morador e um vizinho acionaram o Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp), que solicitou a presença do Instituto Médico Legal (IML) para a remoção dos restos mortais.

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