Sete pistolas, acompanhadas de carregadores e dezenas de munições, desapareceram do controle da Justiça em Epitaciolândia, no interior do Acre. O caso levou o Tribunal de Justiça do Acre a ampliar a investigação e a instaurar uma sindicância para apurar o destino das armas e eventual responsabilidade de servidores públicos. A decisão foi publicada nesta terça‑feira (18).
A situação chama a atenção porque os registros indicam que parte dos armamentos teria sido encaminhada ao Exército Brasileiro para destruição, porém não constam nos relatórios de entrega à Assessoria Militar (ASMIL). Além disso, as armas não foram localizadas no 5º Batalhão da Polícia Militar, onde poderiam estar armazenadas.
A apuração teve início após o desaparecimento de três pistolas, já objeto de investigação pela Portaria nº 3.342/2026. Uma conferência dos cadastros do Sistema de Automação da Justiça (SAJPG) identificou outras quatro pistolas que também não estavam no local indicado nos registros.
Entre as sete armas desaparecidas estão duas pistolas Glock e cinco Taurus, de calibres 9 mm, .380 e .40, além de carregadores e munições.
As três pistolas já procuradas são: uma Glock G17, calibre 9mm, número de série BCBD812. Uma Glock calibre .380, número de série BAGF502. E uma Taurus calibre 9mm, número de série ACH163708.
As demais quatro são: uma Taurus G3C, calibre .40 S&W, número SLP 133809, com um carregador e dez cartuchos. Uma Taurus calibre 9mm, número ABK 017087, com três carregadores e 24 munições. Uma Taurus PT111G2 C, calibre 9mm, número ABJ883876, com um carregador e 11 cartuchos. E uma Taurus PT 838, calibre.380 ACP, número KJT09195, com um carregador e 18 cartuchos.
Segundo a portaria assinada pela juíza Joelma Ribeiro Nogueira, diretora do Foro de Epitaciolândia, os dados do SAJPG permitiram identificar a situação de cada arma, sua localização e o processo ao qual estava vinculada.
A principal inconsistência surgiu quando um servidor certificou a remessa dos armamentos para a ASMIL e registrou a baixa no sistema como se as armas tivessem sido enviadas ao Exército para destruição. Contudo, os relatórios de entrega à ASMIL produzidos a partir de julho 2025 não confirmam esse destino, indicando que a documentação não comprova a destruição.
Como as armas também não foram encontradas no 5º Batalhão da Polícia Militar e não há registro de violação da caixa onde estavam depositadas, a portaria inicialmente afasta a hipótese de retirada por pessoa estranha à administração.
Diante disso, o Tribunal determinou a sindicância, presidida pelo oficial de Justiça Alcides de Pinho Victório Neto, com a participação dos técnicos judiciários Maria Gerusia Landy Chaves e Darci Jaeger.
O grupo tem 30 dias para concluir os trabalhos, prazo prorrogável por igual período mediante justificativa. O presidente do Tribunal de Justiça do Acre, o corregedor‑geral da Justiça, o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar e o comandante da ASMIL serão comunicados.
A sindicância tramitará sob sigilo no sistema SEI, conforme a Portaria nº 3.351/2026, assinada em 11 de agosto e publicada no Diário da Justiça Eletrônico nesta terça‑feira (18). Até o término da apuração, não há definição sobre o destino final das sete armas nem sobre eventual responsabilidade individual.
