As disputas entre facções criminosas continuam sendo uma das principais causas dos homicídios no Acre, embora os dados mais recentes indiquem mudanças no padrão dessa violência.
Em 2025, 66 dos 160 assassinatos registrados no estado foram classificados como possíveis casos de guerra entre facções. O número representa 41% de todos os homicídios do ano, tornando esse tipo de conflito a principal motivação isolada das mortes violentas, à frente de causas como brigas, crimes passionais e acertos de contas individuais.
Os relatórios da Polícia Civil também indicam que o auge da violência recente no Acre está ligado ao período entre 2016 e 2018, quando começaram as disputas mais intensas entre organizações criminosas. Mesmo com a redução gradual no total de homicídios ao longo dos anos seguintes, as facções continuaram exercendo papel central na dinâmica da violência letal.
Em 2023, os registros já apontavam a guerra entre facções e os casos de vingança como algumas das principais motivações para os assassinatos no estado. Os dados reforçam que esses grupos criminosos já haviam se consolidado, naquele momento, como um dos principais motores da violência.
No primeiro trimestre de 2026, porém, os relatórios mostram um cenário um pouco diferente. Em janeiro, quase metade dos homicídios ainda estava ligada a possíveis conflitos entre facções. Já em fevereiro e março, as motivações aparecem mais fragmentadas, com registros ligados a acerto de contas, disciplina interna de facções, tráfico de drogas, execuções e crimes passionais.
Apesar dessa pulverização, os homicídios ligados direta ou indiretamente ao crime organizado seguem representando parcela significativa — e possivelmente majoritária — das mortes violentas no Acre.
A série histórica recente aponta três movimentos: a consolidação das facções como principal vetor da violência letal no estado desde meados da década passada; o pico de participação explícita desses conflitos em 2025, quando chegaram a 41% dos homicídios; e, mais recentemente, uma diversificação das motivações, sem que as organizações criminosas deixem de ter protagonismo.
