A presença de integrantes do PCC e do Comando Vermelho em território americano entrou no centro da justificativa usada pelo governo Donald Trump para enquadrar as duas facções brasileiras como organizações terroristas. Segundo uma porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, os grupos foram identificados em pelo menos 12 estados do país.
De acordo com o governo americano, as atividades atribuídas às facções incluem tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, movimentação de recursos ilícitos e outras ações ligadas ao crime organizado transnacional. A administração Trump afirma que a medida faz parte de uma estratégia de segurança nacional e nega que a classificação tenha relação com qualquer possibilidade de intervenção militar no Brasil.
A decisão foi anunciada pelo Departamento de Estado, que classificou o PCC e o Comando Vermelho como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e pretende enquadrá-los também como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho. No comunicado oficial, o governo americano afirma que as redes criminosas das facções ultrapassam as fronteiras brasileiras e alcançam outros países, incluindo os Estados Unidos.
A medida provocou reação do governo brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão e classificou a iniciativa como uma interferência em assuntos internos do país. Integrantes do governo federal também demonstraram preocupação com possíveis impactos diplomáticos e econômicos decorrentes da nova classificação.
Especialistas apontam que o enquadramento pode ampliar o alcance das investigações americanas sobre movimentações financeiras ligadas às facções e aumentar o monitoramento de pessoas e empresas suspeitas de manter relações com integrantes dos grupos.
Fonte: CNN Brasil
