O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acredita que há uma ação coordenada entre o presidente da Argentina, Javier Milei, e a gestão de Donald Trump, nos Estados Unidos, com o objetivo de interferir nas eleições brasileiras e beneficiar o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Palácio do Planalto.
Segundo assessores de Lula, a presença de Milei na convenção do PL, realizada sábado (25) em São Paulo, teria deixado evidente a estratégia da direita de impulsionar a chamada “onda azul”, que representa a ascensão de políticos conservadores na América do Sul.
Fontes do governo afirmam que Milei atua como “subalterno” de Trump e teria vindo ao Brasil para cumprir missão atribuída pelo presidente americano.
Lula não respondeu pessoalmente às provocações. No sábado (25), Milei chamou o presidente de “presidiário”. Na segunda-feira (27), ao ser questionado, o presidente ironizou: “Quem é esse cara?”.
Integrantes do governo recomendam que Lula continue ignorando Milei, como fez em relação ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que criticou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, alegando que o presidente colocou o “próprio ego” à frente das negociações e que não houve boa‑fé.
A resposta a Rubio foi dada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A reação a Milei também partiu do Itamaraty.
O chanceler convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para registrar reclamações sobre as declarações do presidente argentino.
O governo também chamou de volta para consultas o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, que se encontrou com Mauro Vieira na tarde de segunda‑feira (27) e manteve breve conversa com Lula durante a recepção ao presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung.
A postura oficial indica que o governo pretende manter a diplomacia, sem retaliações públicas, enquanto acompanha possíveis tentativas de interferência nas eleições.
Fonte: CNN Brasil Política
