A campanha do senador Flávio Jair Bolsonaro (PL) pretende ampliar a presença nas ruas e endurecer os ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última semana antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O plano envolve viagens pelo Norte e Nordeste, maior participação de aliados e preparação para os debates, em uma tentativa de recuperar protagonismo na disputa. A orientação é dar mais espaço às propostas e pressionar o adversário.
Integrantes da campanha reconhecem que a reação petista deixou o candidato ocupado em responder a acusações, enquanto anúncios do governo e a mobilização de apoiadores de Lula passaram a dominar as preocupações dos bolsonaristas. O domingo (18/10) concentrará dois compromissos importantes: o ato na Avenida Paulista, em São Paulo, e o debate da Band.
A manifestação contará com a participação do governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).
A expectativa é mostrar força no mesmo local ocupado pelos petistas uma semana antes. Na segunda-feira (19/10), Flávio seguirá para Manaus e Marabá. O roteiro inclui Aracaju, São Luís, Recife e Fortaleza, encerrando em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, no sábado (24/10). As viagens visam reduzir a vantagem de Lula.
No Amazonas, o presidente recebeu 48,23% dos votos válidos no primeiro turno, contra 45% de Flávio, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A busca por eleitores no Nordeste também contará com a participação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice.
Uma linha de lideranças deverá percorrer os estados da região para reforçar o discurso de combate à violência. Outras lideranças deverão sustentar a mobilização nos locais por onde o presidenciável não passar.
Aliados contam com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para levar apoiadores às ruas. A cobrança vai além do comparecimento aos atos.
Deputados, senadores e governadores que já encerraram suas disputas são orientados a divulgar as propostas do candidato, publicar materiais com a imagem dele e usar as estruturas para pedir votos.
Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula, mas as pesquisas mais recentes apontam empate técnico. A Datafolha, divulgada nesta quinta (15/10), aponta 47% para o senador e 45% para o petista. A Quaest, apresentada na quarta (14/10), mostra 46% a 44%. Ambos os levantamentos indicam 51% a 49% nos votos válidos, sugerindo cautela para evitar celebrações prematuras.
Os aliados avaliam que o cenário demanda que Flávio evite postura defensiva e repita negativas, criticando a estratégia de pré-campanha que reage às ações de Lula sem dar repercussão às propostas. Alegam que o senador ficou refém de acusações de cortes em programas sociais e demorou a enfrentá-las, o que se busca corrigir.
Em resposta às críticas, o candidato votou a favor do texto aprovado pelo Senado na quarta. No dia seguinte, Lula prometeu transporte coletivo gratuito aos fins de semana e feriados a partir de 2027 e defendeu a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em crimes hediondos. A coordenação petista avaliou a necessidade de um posicionamento para frear o uso da pauta pelos bolsonaristas.
A preparação inclui ataques às dificuldades financeiras da população, a tentativa de associar Lula à crise no STF e a defesa contra investigações ligadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que financia a cinebiografia Dark Horse de Jair Bolsonaro. Nos últimos dias, Flávio visitou o pai, que cumpre pena em prisão domiciliar, após autorização do STF.
Comícios podem ocorrer até quinta-feira (22). Propagandas na internet encerram nesse dia, assim como o horário eleitoral gratuito e debates. Caminhadas e distribuição de santinhos vão até as 22h de sábado (24/10). O segundo turno será no domingo (25/10), com votação das 8h às 17h (horário de Brasília). A divulgação dos resultados começa após o fechamento das urnas. Flávio confirmou presença no debate da Band, após ter dito que não participaria. Também há expectativa de participação no debate da Globo, em 23 de outubro, dois dias antes da votação. Membros do PL criticaram a comunicação pela suposta falta de críticas diretas a Lula, sinalizando que a ofensiva será reforçada na propaganda eleitoral.
Fonte: Metrópoles Brasil
