Mulheres presas em Cruzeiro do Sul têm enfrentado uma situação precária diante da falta de vagas no sistema prisional feminino e de problemas operacionais ligados ao transporte de detentas. Familiares de Eliane dos Santos, de 43 anos, denunciam que ela está desde a última sexta-feira (15) na Delegacia Geral do município, em condições consideradas inadequadas.
Segundo os parentes, Eliane permanece em uma cela sem estrutura mínima para permanência prolongada, dormindo no chão, sem colchão, cobertores e sem condições adequadas de higiene pessoal.
A detenta já passou por audiência de custódia e aguarda transferência para o Presídio Moacir Prado, em Tarauacá, cidade localizada a cerca de 220 quilômetros de Cruzeiro do Sul. Conforme a sobrinha dela, Yasmin Oliveira, a remoção ainda não ocorreu por falta de viaturas do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen).
“Ela está em uma cela onde não tem onde fazer necessidade, onde não tem onde tomar banho. Ela dorme numa pedra, sem colchão, no frio, sem coberta. Isso é uma crueldade”, afirmou Yasmin em vídeo divulgado nas redes sociais.
A defesa da mulher informou que acionou o Ministério Público e a administração penitenciária, mas a família afirma que ainda não houve solução para o caso. Diante da demora, parentes organizaram uma manifestação em frente à delegacia para pedir providências.
A situação ocorre meses após a interdição da Unidade Penitenciária Feminina Guimarães Lima, em Cruzeiro do Sul. O prédio, com mais de cinco décadas de funcionamento, apresentava problemas estruturais considerados graves, além de risco de desabamento. A estrutura foi fechada após decisão judicial motivada por ação do Ministério Público do Acre.
Com o fechamento da unidade, mulheres presas passaram a ser encaminhadas para Tarauacá. A mudança também trouxe dificuldades para familiares, que agora precisam percorrer mais de 200 quilômetros para visitas e entrega de mantimentos. Há relatos de parentes que chegam a dormir na rodoviária para reduzir despesas durante o deslocamento.
Procurado pelo portal ac24horas, o policial penal Marcelo Tavares, assessor-geral da presidência do Iapen, afirmou que o problema deve ser solucionado. Segundo ele, equipes de Cruzeiro do Sul e Tarauacá trabalham para viabilizar a transferência da detenta, mas não foi informado um prazo para a realização do procedimento.
