Ex-vereadora Marielle Franco é homenageada com placa no Rio de Janeiro


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Homenagem à ex-vereadora foi instalada em frente à Câmara, no Rio de Janeiro
Beth Santos / Prefeitura do Rio

Homenagem à ex-vereadora foi instalada em frente à Câmara, no Rio de Janeiro

Exatos três anos após o brutal assassinato ainda não elucidado de Marielle Franc o, a ex-vereadora foi homenageada com uma placa num poste na Cinelândia, em frente à Câmara dos Vereadores. A inauguração, ocorrida na manhã deste domingo, foi promovida pelo prefeito Eduardo Paes e pela Secretária da Mulher, Joyce Trindade. No local do atentado, filiados do PSOL — partido do qual a vereadora fazia parte — também prestaram homenagens à ex-ativista dos direitos humanos, que foi ainda lembrada na Europa.

Na placa feita à vereadora, constam as inscrições “Vereadora Marielle Franco (1979 – 2018). Mulher negra, favelada, LGBT e defensora dos direitos humanos – Brutalmente assassinada em 14 de março de 2018 por lutar por uma sociedade mais justa”. Além de Anielle Franco (víuva de Marielle), Marinete da Silva (mãe) e Luyara Santos (filha), estiveram presentes o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), o presidente da Câmara Municipal, Carlo Caiado (DEM), e militantes dos direitos humanos.

“É inaceitável que a gente tenha a vida das pessoas ceifadas da maneira que aconteceu, por um crime político. Marielle sempre fez oposição a mim, mas num momento em que o país vive um momento tão polarizado, acredito que essa homenagem mostra que a gente pode divergir nas ideais, mas sem perder a ternura, a empatia e o respeito pelas pessoas. Esse reconhecimento não diminui a dor da família, mas é uma forma de oferecer um pequeno conforto. Eu tive a honra, na eleição de 2018, de poder defender a honra e o nome da Marielle, enfrentando o governador que tinha rasgado a placa dela. Essa aqui ninguém rasga mais”, disse o prefeito Eduardo Paes, em frente a um cartaz fixado na Câmara com a mensagem “Quem mandou matar Marielle?”.

Marinete da Silva disse que, após três anos, o seu principal questionamento ainda é sobre quem mandou matar sua filha.

“Essa homenagem é um conforto para a gente. A dor não diminui, mas é uma forma dela estar presente cada vez mais. Ela é o simbolismo de muita esperança e de trabalho, principalmente depois de toda a polêmica em relação à placa (quebrada)”, relatou a mãe da vítima.

Anielle Franco também comemorou a homenagem. “São três anos em que a gente busca se reiventar, em que o Instituto Marielle Franco vem ganhando o espaço que merece. Esse momento serve para mostrar que o legado dela é muito grande.”

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Freixo agradeceu a iniciativa da prefeitura e disse que “a morte da Marielle é a morte da democracia”.

“Há um grupo político que é capaz de matar como forma de fazer política. Mataram a Marielle e tentaram matar o nome dela: rasgaram a placa e, na noite de seu assassinato, espalharam mentiras e fake news sobre sua índole. Os responsáveis pela morte vão ter que se esconder e não serão lembrados por nada que preste. A Mari, hoje, é homenageada em vários lugares do mundo — afirmou o deputado.”

Homenagens

O movimento Mulheres Negras Decidem foi criado em fevereiro de 2018, um mês antes da morte de Marielle. O grupo colocou flores ao lado do poste onde foi fixada a nova placa.

“Mesmo sendo uma iniciativa singela, essa placa foi um símbolo de como a violência política foi utilizada nas eleições de 2018. Agora, qualquer pessoa que tentar tirar essa placa daqui será enquadrada por crime de vandalismo”, comemorou a coordenadora política do coletivo, Ana Carolina Lourenço.

Membros do PSOL fizeram um tributo, na manhã de hoje, no local do homicídio, no Estácio: foram colocados flores e um painel com os dizeres “Marielle Sempre Presente”. Ela também foi lembrada na Itália, onde dará nome ao terraço de uma biblioteca; e na Suíça, onde será promovido mais um ato em respeito a sua memória.

Vereadora eleita em 2016 pelo PSOL, Marielle Franco teve a sua trajetória marcada pela luta contra a desigualdade e pelos direitos das mulheres, do povo preto, da favela, dos LGBTs e minorias. Ela foi morta no Estácio, em 14 de março de 2018, por criminosos armados que, dispararam tiros após emparelharem com o veículo em que a vereadora estava. O motorista Anderson Gomes também foi atingido e morreu na hora. Até hoje, ainda não foram identificados os mandantes do crime.

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