O ex‑tenente da reserva remunerada da Polícia Militar do Acre (Pmac) Reginaldo de Freitas Rodrigues, de 56 anos, foi condenado a 40 anos, sete meses e 15 dias de prisão, em regime inicial fechado, pelo feminicídio de Ionara da Silva Nazaré, de 29 anos. O julgamento ocorreu nesta quinta‑feira (17), no Tribunal do Júri, em Rio Branco.
A decisão também fixou o pagamento de R$ 300 mil em indenização por danos morais às duas filhas da vítima e determinou a perda do cargo público de Reginaldo. O réu não poderá recorrer da sentença em liberdade.
A sessão foi realizada na 1ª Vara Criminal do Fórum Criminal de Rio Branco, sob a condução do juiz Fábio Alexandre Costa de Farias, e contou com a presença de familiares de Ionara.
Reginaldo foi condenado por feminicídio com as qualificadoras de motivo torpe e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima. O Ministério Público do Acre (MPAC) apontou ainda como agravante o fato de o crime ter sido praticado na presença das filhas de Ionara.
Em entrevista à imprensa, uma das irmãs da vítima, que preferiu não ser identificada, declarou que a sentença trouxe alívio à família, embora não apague a dor do crime. Eu, como irmã, não acho que a Justiça seja justa, mas fiquei muito aliviada de saber que ele responde por feminicídio, que foram levadas em conta as agravantes e que conseguimos a pena máxima, relatou.
Ionara foi assassinada em 27 de setembro de 2025, no bairro Mocinha Magalhães, em Rio Branco. Segundo a acusação, a vítima recebeu quatro disparos durante uma discussão com Reginaldo, enquanto as duas filhas, de três e sete anos, estavam no interior da residência. A criança mais velha ouviu os tiros, encontrou a mãe caída no chão e informou a polícia. O autor deixou o imóvel e foi preso dois dias depois.
A arma utilizada pertencia à Polícia Militar e estava sob a posse de Reginaldo na época. O armamento foi apreendido e encaminhado para perícia balística. O processo indica que a discussão que antecedeu o crime estava relacionada a questões financeiras, inclusive ao pagamento de pensão alimentícia a um filho de outro relacionamento.
Durante o julgamento, a irmã de Ionara afirmou que a vítima se sentia presa no relacionamento, citando o controle exercido pelo marido, que assumia atividades cotidianas antes realizadas por ela. A mãe da vítima, Audilene da Silva, também depôs, descrevendo como a filha mais nova ainda revive o momento em que viu a mãe ser morta, lembrando detalhes que repete diariamente.
Reginaldo foi pronunciado para julgamento pelo Tribunal do Júri em março deste ano. Durante a investigação, manteve silêncio no interrogatório. A defesa solicitou a revogação da prisão, pedido que foi negado, e o ex‑tenente permaneceu detido até a sessão de julgamento. Com a decisão dos jurados, ele deverá cumprir inicialmente a pena em regime fechado.
