Um ex-pesquisador de Inteligência Artificial que atuou na OpenAI e na Anthropic anunciou sua demissão na noite de quarta-feira (8), alegando que ambas as empresas deixam de agir com responsabilidade ao “apostar” com a vida humana.
Em publicação no X, antigo Twitter, Jacob Coxon relatou ter passado os últimos três anos em fase de pré‑treinamento nas duas companhias e afirmou: “Elas estão correndo a passos largos para a superinteligência autoaperfeiçoável e apostando com nossas vidas”.
A mensagem, divulgada por volta das 21h (horário de Brasília), já ultrapassou 64,9 milhões de visualizações e acumula quase meio milhão de curtidas.
Coxon acrescentou que a indústria reconhece os riscos que a IA pode representar para a humanidade, destacando que “as pessoas que desenvolvem IA acreditam sinceramente que ela poderá nos matar a todos até o final da década. Isso não é uma jogada de marketing”.
Segundo ele, executivos e pesquisadores renomados costumam adotar uma linguagem mais “sensata” ao falar com a imprensa, mas, nos bastidores, expressam constante preocupação com o futuro das tecnologias.
O ex‑pesquisador alerta que não se deve subestimar o poder da IA, pois “em breve teremos sistemas sobre‑humanos capazes de hackear qualquer coisa, revolucionar qualquer área da noite para o dia e adquirir poder e recursos reais”.
Ele indica que o cenário atual aponta para uma corrida global, mas acredita que medidas como a proibição temporária de aprimoramento das capacidades dos modelos poderiam atenuar os efeitos negativos.
Em julho, mais de 1.200 funcionários de empresas de tecnologia assinaram a petição “Pacing the Frontier”, que pede ao governo dos Estados Unidos a criação de ferramentas para regular o ritmo de desenvolvimento da IA avançada. A iniciativa conta com colaboradores da Meta, da Alphabet, da Anthropic e da OpenAI.
O site da campanha sustenta que, embora a IA tenha potencial para melhorar o futuro, “resultados não são garantidos”. Coxon encerra o apelo convidando pesquisadores de laboratório a refletir sobre os próximos anos e decidir se iniciam projetos de aprendizado por reforço superinteligente sem compreensão rigorosa da própria mente ou se aproveitam o momento.
Fonte: CNN Brasil Economia
