O estudo global “Safety in Motion: Driving Trust in Modern Mobility”, realizado pela Economist Enterprise com apoio da Brembo, apontou que o excesso de confiança ao volante é mais pronunciado em países cujas estradas são consideradas perigosas, entre eles o Brasil.
A pesquisa contou com a participação de mais de 6.100 pessoas, incluindo mais de mil especialistas em segurança viária, e abrangeu Brasil, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e Estados Unidos, que juntos respondem por cerca de 75% da produção mundial de veículos.
Enquanto nove em cada dez motoristas afirmam sentir-se seguros ao dirigir, menos da metade dos especialistas compartilha essa percepção, gerando uma diferença de 45 pontos percentuais entre a avaliação dos condutores e a dos profissionais do setor.
A Organização Mundial da Saúde estima que 1,2 milhão de pessoas morrem nas estradas a cada ano, sendo os acidentes de trânsito a principal causa de morte entre crianças e jovens de 5 a 29 anos.
Jean Todt, enviado especial do secretário‑geral das Nações Unidas para a segurança rodoviária, alertou que o excesso de confiança pode se transformar em risco ao incentivar motoristas a assumir riscos desnecessários. “Muitos motoristas não entendem as capacidades dos sistemas de direção autônoma. Não devemos presumir que a tecnologia possa substituir nossa atenção”, declarou.
Os autores do estudo observaram que apenas 3% dos profissionais apontam defeitos mecânicos como causa principal de acidentes. Em contraste, 30% apontam o uso inadequado ou a má compreensão dos sistemas de assistência ao motorista, e 24% consideram os recursos que desviam a atenção dos condutores como o risco mais relevante.
No Brasil, China e Índia, os motoristas relataram maior sensação de segurança apesar das condições adversas das vias. Pratima Singh, responsável pela área de Políticas Públicas e Insights da Economist Enterprise, explicou que a confiança do público cresceu acompanhando um processo acelerado de modernização, mas evoluiu mais rapidamente que os indicadores reais de segurança.
A confiança varia também conforme renda e faixa etária. Motoristas de baixa renda têm quase o dobro de probabilidade de relatar baixa ou moderada confiança em comparação com pessoas de renda média ou alta. Entre as gerações, 94% dos Millennials afirmam alto nível de confiança, enquanto 12% da Geração Z e 16% dos Baby Boomers relatam baixa ou moderada confiança.
Apesar do otimismo, 88% dos motoristas apoiam a adoção de medidas mais rigorosas, como redução de limites de velocidade e maior fiscalização, e se mostrariam dispostos a pagar mais por sistemas de transporte mais seguros. Contudo, 68% dos especialistas apontam a falta de coordenação entre reguladores e indústria como principal obstáculo ao avanço da segurança viária.
Matteo Tiraboschi, presidente executivo do conselho de administração da Brembo, concluiu que reduzir a lacuna de confiança exige ação conjunta de todo o ecossistema da mobilidade, com inovação responsável da indústria e marcos regulatórios eficazes que ajudem as pessoas a compreender tanto as capacidades quanto as limitações das novas tecnologias.
Fonte: Terra Brasil
