Entenda inquéritos contra Flávio Bolsonaro e a decisão de Moraes

Flávio Bolsonaro (PL) recebeu intimação da Polícia Federal para entregar seus passaportes, medida determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que fixou prazo de 24 horas para o cumprimento.

Além da entrega dos documentos, o senador foi proibido de manter qualquer contato com o advogado Willer Tomaz, também alvo de investigação por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A intimação foi feita na manhã de segunda‑feira (26).

Moraes exigiu que Flávio Bolsonaro devolvesse não só o passaporte brasileiro, mas também quaisquer documentos relativos a outras nacionalidades ou viagens ao exterior.

Em vídeo divulgado nas redes sociais na tarde de segunda, o senador relatou que, ao sair de visita ao pai, o ex‑presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, foi abordado por agentes da Polícia Federal na porta da residência e intimado a entregar os passaportes, além de ser informado de que está proibido de deixar o país.

O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal em razão do foro por prerrogativa de função do senador. O processo apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.

A principal suspeita da Polícia Federal é de que o senador teria participação econômica e societária com Tomaz em empresas, sobretudo na Alcazar Holding, onde Flávio seria apontado como usuário master de conta bancária. Foram identificadas movimentações suspeitas de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025, valor considerado incompatível com as atividades econômicas conhecidas do senador.

A investigação também abrange possíveis irregularidades em apostas esportivas e em uma casa lotérica no estado do Rio de Janeiro, com indícios de fraude em licitação. Willer Tomaz, que reside nos Estados Unidos, já havia sido alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que apura irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Na última sexta‑feira, Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, sugeriu nas redes sociais que Flávio poderia deixar o Brasil caso perdesse as eleições. Em resposta, Flávio afirmou que a determinação de entrega dos passaportes decorreu da declaração do irmão e que nunca manifestou intenção de sair do país.

O senador também recuou da intenção de solicitar a anulação dos votos do segundo turno. A campanha passou a focar em apontar supostas irregularidades na campanha do PT, estratégia aconselhada por aliados e lideranças do próprio PL.

Segundo o analista de política da CNN, Teo Cury, o Supremo Tribunal Federal, no ano passado, alterou o entendimento sobre o foro por prerrogativa de função: um parlamentar que deixa o cargo continua respondendo pelos crimes investigados mesmo após o término do mandato. Com o fim do mandato de Flávio Bolsonaro previsto para fevereiro do próximo ano, a tendência é que os processos permaneçam no STF.

Flávio Bolsonaro responde a três inquéritos no Supremo Tribunal Federal: um por calúnia contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), outro sobre suspeitas de financiamento do filme “Dark Horse” e um terceiro relacionado à associação com Willer Tomaz por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Os relatores Alexandre de Moraes e André Mendonça deverão analisar se há vínculo entre os crimes investigados e o mandato parlamentar. Caso afirmativo, os processos continuarão tramitando no STF, caso contrário, poderão ser remetidos à primeira instância.

Fonte: CNN Brasil Política

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