Ensino a distância: uma alternativa, mas nem tão acessível

A partir de algumas conversas com amigos professores, vi a aflição dos profissionais da educação com o método de ensino a distância ou simplesmente EAD, que se tornou um modelo necessário para escolas públicas e particulares de todo o Brasil, como forma de manter a rotina de estudos não mais normal de milhões de alunos nesta pandemia. No Acre, nota-se uma experiência interessante e trabalhosa, por isso quero refletir com você sobre esse modelo, não com o intuito dar solução à questão, mas para ampliar e sensibilizar sobre as pautas que envolvem esse tema e tiram o sono dos nossos educadores.

Como lidar com esse novo desafio de educar em um local com tantos aspectos que dificultam o acesso às aulas? O Acre possui milhares de comunidades rurais e algumas cidades onde o acesso só é feito via aérea ou fluvial, além de infraestrutura mínima de internet e com uma desigualdade social cada vez maior, por isso tudo o assunto é delicado. Vejo que esse novo normal pegou as administrações, professores, alunos e pais, como diz a velha expressão acreana, de “calças arriadas”. E como há dois parâmetros, público e privado, focarei a leitura no primeiro segmento. Sabemos que uma boa parcela de estudantes da rede pública, tanto do estado como dos municípios, não tem acesso à internet. Quando existe essa oferta, ela é precária na maioria dos casos, tanto na capital como no interior.

Para superar esse desafio, a gestão começa a veicular teleaulas. Mas assim como a internet, comunidades rurais e ribeirinhas muito distantes não têm acesso. O rádio, também usado neste momento, é o que parece ser mais viável, por estar presente em boa parte dos lares acreanos, seja no celular, no carro ou no próprio aparelho de rádio. Mas ao mesmo tempo em que o ensino chega, ele é feito de forma artificial, já que o aluno não recebe assistência para tirar dúvidas. Se ele não entender o que foi repassado, não receberá nova explicação. Para o EAD funcionar de forma mínima é necessário material impresso.

Famílias pobres e de zona rural não conseguem ter o acompanhamento adequado com esse material. Muitos pais, desempregados e dependentes do auxílio emergencial, precisam estar fora de casa fazendo trabalhos informais ou em busca de emprego para garantir comida na mesa, o que gera ainda mais desassistência. Da mesma maneira que essas situações afetam as famílias, outras dificuldades também atingem os professores, cuja maioria não recebe infraestrutura adequada para executar o trabalho. Todos eles se adaptam à própria realidade, fazendo “das tripas coração”.

O que fazer com o ensino a distância para que ele não seja uma faca de dois gumes que pode trazer aspectos negativos? Não há receita para todo esse processo. Como tudo isso é novo para todos, estamos aprendendo um dia por vez – gestores, professores, alunos e pais. Este assunto deve ser debatido a fio para que juntos possamos encontrar o caminho certo para superar os grandes desafios que os educadores do Acre têm pela frente. Não há soluções definitivas a curto prazo. Neste momento, todos devem se unir para garantir o futuro dos nossos sucessores.

Jebert Nascimento é empresário, advogado, administrador e contador acreano

Redes sociais: @jebertnascimento

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