Os juros futuros com vencimento para os próximos quatro anos recuaram cerca de um ponto percentual (equivalente a 100 pontos‑base) na segunda-feira (5), após a divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições, em que Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Caso o patamar alcançado nessa sessão se mantenha, o governo teria a possibilidade de economizar R$ 65,8 bilhões.
A projeção de redução da dívida pública decorrente de uma queda de um ponto percentual na taxa Selic foi apresentada pelo Banco Central no relatório de Estatísticas Fiscais de agosto, publicado em 30 de setembro, antes da primeira rodada eleitoral.
Esse montante de economia corresponde a quase três vezes o custo que o reajuste de 15,04% do Bolsa Família terá em 2027 – estimado em R$ 22,7 bilhões – e supera o impacto do aumento de R$ 120 no salário mínimo, estimado em R$ 54,6 bilhões.
Os juros futuros representam as taxas que o mercado espera para os próximos anos. O principal termômetro dessas expectativas é o contrato futuro de DI (Depósito Interfinanceiro) negociado na B3, que acompanha de perto a Selic. Quando o DI de 2029, por exemplo, registra queda, indica que o mercado projeta juros menores para esse ano.
Com juros mais baixos, o governo consegue refinanciar a dívida emitindo novos títulos a custos menores, já que os investidores percebem menor risco e exigem um prêmio de risco reduzido.
Uma taxa menor favorece o ambiente de negócios, reduz o custo de crédito para as empresas, estimula investimentos, expansão e contratações, além de elevar a avaliação das companhias na Bolsa, facilitando a captação de recursos. Na segunda-feira, o Ibovespa bateu recorde, fechando em 207 mil pontos e gerando quase R$ 500 bilhões em valor de mercado para as empresas.
Entretanto, esses efeitos não são automáticos. Uma deterioração nas expectativas fiscais ou de inflação pode fazer os juros futuros subir novamente, assim como uma melhora ainda maior nas expectativas pode aprofundar a queda.
A informação sobre a queda dos juros futuros não foi fornecida pelo Banco Central. O relatório da autoridade monetária apenas traz a projeção de redução da dívida bruta caso a Selic caia um ponto percentual. O texto foi corrigido e atualizado.
Fonte: Poder Economia
