Dino manda que PF investigue interferência estrangeira nas eleições

O ministro Flávio Dino, do STF, determinou nesta terça-feira (27) a abertura de investigação pela Polícia Federal para apurar suspeitas de interferência estrangeira nas eleições deste ano. A decisão cita possíveis negociações da Rockbridge Network para apoiar a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e indica que a empresa poderia ter participado de tratativas para financiar a candidatura. Dino também solicitou apuração sobre eventual oferecimento de apoio em troca de acesso a terras raras brasileiras.

A investigação ocorre após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adotar medidas para apurar tratamento desigual entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro nas plataformas digitais. Em 15 de outubro, o TSE determinou que a Meta — responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp — não interferisse na distribuição de conteúdo político-eleitoral de nenhum dos dois candidatos até o fim do segundo turno. A decisão foi tomada após a campanha de Lula alegar que suas publicações tinham alcance reduzido e que a ferramenta de inteligência artificial da empresa apresentava diferenças no tratamento de conteúdos relacionados aos candidatos.

Dino fundamentou o pedido com base em relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que aponta riscos externos ao processo eleitoral e reforça a proibição de doações financeiras de origem estrangeira em campanhas eleitorais. O ministro também mencionou notícias sobre possível financiamento estrangeiro de campanha e citou a Rockbridge Network, que teria participado de negociações para apoiar financeiramente a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Alega-se que os sistemas das plataformas poderiam ter sido manipulados para ampliar a visibilidade de determinados candidatos ou reduzir o alcance de conteúdos adversários.

Dino ressaltou a necessidade de apurar quem formulou eventual proposta, a quem ela teria sido dirigida, por qual instrumento foi utilizado e em que consistiria a suposta contrapartida, lembrando que os recursos minerais pertencem à União e sua exploração depende de autorização ou concessão concedida no interesse nacional. A decisão também cita a Abin, que identifica a segurança do processo eleitoral como desafio prioritário e aponta risco de interferência externa.

A Meta informou que não toma partido em eleições e atribuiu os problemas relatados a incidentes técnicos, sustentando que uma falha em suas proteções permitiu que a ferramenta de IA gerasse materiais de campanha favoráveis a Flávio Bolsonaro.

Fonte: G1 Brasil/Política

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