A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesta terça-feira (7) que os mercados de trabalho dos países membros permanecem resilientes, com a taxa de desemprego em patamares historicamente baixos, embora os salários reais ainda não tenham recuperado totalmente as perdas provocadas pela inflação em cerca de um terço das economias do bloco.
O relatório “Perspectivas de Emprego 2026”, apresentado pela OCDE, alerta que o novo choque nos preços de energia deve intensificar a pressão sobre o poder de compra dos trabalhadores.
Segundo a entidade, o número total de empregados nos países membros atingiu recorde de 670 milhões de pessoas em maio. As projeções apontam crescimento de 0,3% no emprego em 2026 e de 0,6% em 2027.
A taxa de desemprego ficou em 4,9% em maio e deve permanecer próxima desse nível até o final de 2027, segundo os dados do estudo.
“O mercado de trabalho da OCDE tem sido forte e resiliente, com emprego em níveis recordes e desemprego próximo das mínimas históricas. Mas o poder de compra dos trabalhadores não está acompanhando esse desempenho”, afirmou o secretário‑geral Mathias Cormann. Ele sugeriu que a solução passa por elevar a produtividade por meio de políticas educacionais mais eficazes, qualificação profissional, maior mobilidade no mercado e adoção de tecnologia.
O documento indica que o ritmo de crescimento dos salários reais perdeu força e deverá desacelerar ainda mais diante das pressões inflacionárias ligadas ao aumento dos custos de energia. Apesar disso, os trabalhadores de menor renda foram relativamente mais protegidos graças à valorização dos salários mínimos em diversos países.
A OCDE também destaca um aumento do desemprego entre jovens, inclusive entre graduados, e aponta que há poucas evidências de que a inteligência artificial seja a principal responsável por esse movimento, que estaria mais relacionado ao ciclo econômico e a mudanças estruturais na demanda por habilidades.
Outro ponto do estudo é a persistência de grandes disparidades regionais. Nas áreas com pior desempenho, a taxa de desemprego é, em média, mais que o dobro da observada nas regiões mais dinâmicas, levando a OCDE a defender investimentos em infraestrutura, educação, qualificação e políticas de emprego adaptadas às necessidades locais.
Fonte: CNN Brasil Economia
