Credores contestam saída da Americanas da recuperação judicial

Credores da Americanas contestam na Justiça o pedido da varejista para encerrar sua recuperação judicial.

A empresa pediu a saída do processo em 25 de março de 2026, sob o argumento de que cumpriu as obrigações previstas no plano durante o período de supervisão judicial.

O processo tramita na 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro.

A administração judicial e o Ministério Público do Rio de Janeiro defendem o encerramento da recuperação.

Parte dos credores, no entanto, afirma que ainda há pendências e falhas no cumprimento do plano.

Pelo plano, a companhia ficou sujeita a um período de supervisão judicial para cumprir as obrigações vencidas nesse intervalo.

Em 25 de março de 2026, depois do fim desse prazo, a Americanas pediu o encerramento da recuperação judicial.

Entre os principais que contestam o encerramento estão a K2 Partnering Solutions, a Rerum Engenharia de Sistemas, a Lindt & Sprüngli Brasil e bondholders – detentores de títulos de dívida da Americanas.

Eles alegam pendências como pagamentos incompletos, descontos na conversão de dívidas em dólar para real, mudança de categoria de credor e atraso em pagamentos.

Já os bondholders dizem que houve inadimplemento de obrigações vencidas durante o período de supervisão judicial.

Segundo os detentores dos títulos, encerrar a recuperação antes de uma decisão sobre essas pendências poderia prejudicar os credores.

Caso a Justiça reconheça depois algum descumprimento do plano, eles afirmam que teriam que mover uma execução contra a Americanas ou pedir a falência da companhia em uma ação separada.

A crise da varejista começou em 11 de janeiro de 2023, quando a empresa informou ao mercado ter encontrado “inconsistências contábeis” de cerca de R$ 20 bilhões.

No mesmo dia, o então presidente da companhia, Sérgio Rial, e o diretor de Relações com Investidores, André Covre, deixaram seus cargos.

O problema estava ligado principalmente a operações conhecidas como risco sacado –quando bancos antecipam pagamentos a fornecedores e a empresa passa a dever às instituições financeiras.

No caso da Americanas, parte dessas operações não teria sido registrada corretamente como dívida bancária.

Oito dias depois, em 19 de janeiro de 2023, a Americanas entrou com pedido de recuperação judicial.

À época, a empresa declarou dívidas de cerca de R$ 43 bilhões.

O processo foi distribuído à 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro.

Em junho de 2023, a companhia passou a tratar o caso como fraude contábil.

Segundo a Americanas, as irregularidades inflaram artificialmente os resultados da empresa em R$ 25,3 bilhões ao longo do tempo.

A companhia também apontou problemas como contratos fictícios de verbas de propaganda cooperada e ausência de lançamento de juros sobre operações financeiras.

O plano de recuperação judicial foi aprovado pelos credores em 19 de dezembro de 2023.

A Justiça homologou o plano em fevereiro de 2024, abrindo a fase de supervisão judicial, período em que a empresa precisava cumprir as obrigações previstas no plano.

Fonte: Poder Economia

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