No intervalo do confronto entre Brasil e Japão, em Houston, a seleção brasileira enfrentava a perspectiva de uma eliminação precoce, a mais rápida desde 1966, e de uma humilhação nacional. O placar aberto pelo Japão deixava o Brasil em situação delicada, com a torcida temendo uma zebra histórica. Carlo Ancelotti, técnico de 67 anos, chegou ao comando da seleção como seu primeiro trabalho em seleções e como o primeiro treinador estrangeiro do Brasil em uma Copa do Mundo.
Vencedor da Liga dos Campeões cinco vezes e com títulos nas cinco principais ligas europeias, Ancelotti traz um histórico de sucesso no nível de clubes, mas ainda não havia vivido um jogo de mata-mata de Copa do Mundo desde 2002. Mesmo diante da pressão, o treinador afirmou que manteve a confiança na equipe, ao final do primeiro tempo. Segundo Tim Vickery, especialista sul-americano, a situação no intervalo representava um susto para o Brasil, destacando o peso da humilhação caso fosse eliminado já na fase de grupos contra um adversário asiático, algo inconcebível para os brasileiros.
A única mudança feita no intervalo foi a entrada de Endrick, que substituiu o lesionado Lucas Paquetá. Vickery observou que, às vezes, a maior habilidade de Ancelotti é não fazer nada, ressaltando a calma do técnico como um oásis em meio ao caos. No segundo tempo, a formação permaneceu praticamente a mesma, mas o time apresentou mais propósito e intensidade. O número de cruzamentos aumentou de 12 no primeiro tempo para 28 no segundo, indicando uma estratégia mais direta para colocar a bola na área. Essas alterações táticas resultaram no gol de empate de Casemiro, que aproveitou a maior presença de bolas nas áreas japonesas.
O ex-lateral da Inglaterra Stephen Warnock atribuiu ao ajuste de Ancelotti a diferença, dizendo que o Japão não conseguiu lidar com as bolas na área. A vitória foi selada aos 95 minutos, quando um gol garantiu a classificação para as oitavas de final, onde o Brasil enfrentará Costa do Marfim ou Noruega. O ex-meia Lucas Leiva resumiu o sentimento da equipe como salvar a pátria, enquanto Vickery comparou a façanha a escalar o Everest da maneira mais difícil.
Ancelotti reconheceu que o Brasil teve alguns problemas contra o Japão bem organizado, mas manteve a convicção de que os jogadores poderiam reverter a situação, dizendo que o time jogou e não foi um time perdido como no primeiro tempo contra o Marrocos. O técnico ressaltou que, embora o Brasil seja conhecido por um futebol ofensivo e leve, às vezes vencer exige uma abordagem diferente, repetindo que o único resultado aceitável é a vitória e que não se pode se contentar com o que se vem fazendo. Chris Sutton, ex-atacante inglês, elogiou a postura de Ancelotti, dizendo que os brasileiros estão no caminho certo sob o comando do treinador.
O texto aponta que o ajuste tático, a calma de jogadores como Bruno Guimarães e Gabriel Martinelli, e a liderança de Ancelotti foram decisivos para o resultado. Ao final, a seleção brasileira saiu do confronto mais forte, com a vitória dramática servindo de impulso para as próximas fases da Copa do Mundo.
Fonte: BBC News Brasil
