A bancada recorde que o PL terá no Senado a partir de fevereiro de 2027 já leva parlamentares de esquerda a redesenhar a forma de atuar na Casa. Ouvidos pelo g1, senadores eleitos e reeleitos do PT, do PSB e do PDT apontam alianças em torno de temas específicos, diálogo com adversários e mobilização da sociedade como caminhos para sustentar a agenda do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo levantamento atualizado pela Agência Senado em 25 de outubro, após o segundo turno, o PL ocupará 29 das 81 cadeiras, mais de um terço do plenário. É a maior bancada de um único partido no início de uma legislatura desde a Constituição de 1988. O recorde anterior era do então PMDB, que abriu a legislatura de 1999 com 27 senadores. O PT terá 10 senadores, e o MDB, 8.
Nas urnas de 4 de outubro, o PL elegeu 19 senadores, outra marca inédita desde 1988: até então, nenhum partido havia passado de 14 eleitos numa mesma disputa. A 29ª cadeira vem de Minas Gerais, onde o suplente Alex Diniz (PL) assumirá a vaga de Cleitinho (Republicanos), eleito governador.
Estreantes apostam em pauta e articulação
As três senadoras eleitas ouvidas pela reportagem, Marília Arraes (PDT-PE), Samanda de Lula (PT-RN) e Marília Campos (PT-MG), defendem acordos pontuais e conversa com quem está fora do campo progressista.
Samanda de Lula afirma que a nova correlação de forças vai exigir organização e firmeza, sem concessões em temas como direitos dos trabalhadores, democracia e proteção a mulheres e crianças. Ela pretende apresentar projetos e buscar apoio de senadores de outros campos quando houver chance de formar maioria.
Marília Arraes quer colocar os direitos das mulheres e as demandas do Nordeste no centro do debate. Para ela, a presença feminina no Congresso, sozinha, não garante avanço nas políticas de igualdade; o que conta é o voto de cada parlamentar.
Marília Campos, ex-prefeita de Contagem (MG), pretende usar a experiência de negociar com governos de diferentes orientações para montar alianças em torno de demandas dos municípios. Ela considera o trabalho em comissões e relatorias tão decisivo quanto os discursos no plenário.
Veteranos preveem avanço da pauta de costumes
Eleito para o terceiro mandato, Humberto Costa (PT-PE) avalia que a nova bancada tem perfil mais radical e que o diálogo ficará mais difícil. Ainda assim, acredita que o governo terá votos para projetos já negociados, como o fim da escala 6×1. Ele espera mais propostas ligadas a costumes, como a criminalização do aborto, e admite apoiar a recondução de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência da Casa, desde que não haja concessões em temas como a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Reeleito, Cid Gomes (PSB-CE) disse não ver motivo para “pânico”. Pelas contas dele, a direita terá número para pedir CPIs, mas não para formar maioria sozinha. O senador enxerga um Senado dividido em três blocos e vê Alcolumbre em melhor posição para a eleição de fevereiro, já que a direita não tem candidatura unificada; ele cita Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) como interessados no comando.
A composição ainda pode mudar até a posse, em 1º de fevereiro, por trocas de partido ou pela ida de senadores para cargos no Executivo.
Com informações do g1 e da Agência Senado.
