Coca‑Cola, e Bay e Tesla enviaram manifestações ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pedindo que a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros não seja implementada. As empresas apresentaram seus argumentos antes do prazo final, que expirou em 1º de julho.
O USTR abriu um espaço em seu portal para receber comentários sobre a medida, permitindo que interessados apresentassem suas posições até a data limite.
A proposta está baseada na Seção 301, dispositivo legal que autoriza a imposição de tarifas coercitivas a países cujas práticas supostamente prejudicam o comércio dos Estados Unidos.
A administração Trump justificou a taxação alegando “políticas e práticas relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico. Tarifas preferenciais injustas. Combate à corrupção. Proteção da propriedade intelectual. Acesso ao mercado de etanol. E desmatamento ilegal”.
As empresas argumentam que a nova tarifa pode gerar ônus imediato nas cadeias de produção e, ainda, prejudicar consumidores americanos em detrimento dos investigados.
A Coca‑Cola solicitou ao USTR a manutenção da isenção para insumos de laranja originários do Brasil e pediu a “exclusão equivalente ou um regime de transição” para insumos de limão brasileiros usados na produção de bebidas.
A companhia afirma que, sem os produtos importados do Brasil, a indústria teria de buscar novos fornecedores, o que acarretaria aumento de custos e a necessidade de revalidar procedimentos como revisão de segurança alimentar e testes de produtos.
“A substituição de fornecedores não ocorre de forma imediata”, destacou a Coca‑Cola.
A empresa também apontou que a produção doméstica de cítricos tem sido afetada por doenças, condições climáticas adversas e mudanças no uso da terra, dificultando a substituição do fornecimento brasileiro dentro de prazos comercialmente viáveis.
Dados da Flórida mostram queda na produção de laranjas: de 242 milhões de caixas na safra 2003/2004, a apenas 12 milhões na safra 2025/2026.
“O Brasil tornou‑se uma fonte complementar essencial diante da significativa queda da produção norte‑americana de laranja”, afirmou a Coca‑Cola, ressaltando que o fornecimento brasileiro tem ajudado a suprir a lacuna para os fabricantes de suco de laranja nos Estados Unidos.
A Tesla, fabricante de veículos elétricos, declarou apoio a medidas que favoreçam a reindustrialização americana e a construção de cadeias de suprimento resilientes, mas ressaltou que “essa transição levará tempo”.
A montadora explicou que alguns insumos ainda não podem ser produzidos em escala suficiente nos Estados Unidos, o que obriga a depender de cadeias internacionais já estabelecidas, inclusive de componentes fornecidos pelo Brasil.
Na conclusão, a Tesla sugeriu que o USTR considere os impactos sobre os fabricantes americanos e exclua os insumos provenientes do Brasil, “necessários para a produção industrial”, da lista de produtos alvo da tarifa.
“A medida pode causar impactos significativos para a indústria e os consumidores dos Estados Unidos se não levar em conta o ritmo da diversificação das cadeias de suprimento”, alertou a Tesla.
O e Bay, um dos maiores sites de comércio eletrônico, propôs que o USTR modifique a proposta para isentar produtos de segunda mão, usados e seminovos de quaisquer tarifas impostas no âmbito da investigação da Seção 301.
A plataforma argumenta que a tarifa sobre bens revendidos não atinge o objetivo de punir os fabricantes investigados, pois “um bem já foi comprado, utilizado e revendido – muitas vezes por diversos proprietários ao longo de vários anos”.
“A tarifa penaliza a revenda do bem, e não sua produção”, acrescentou o e Bay, afirmando que determinar tarifas sobre itens comercializados após a produção prejudica o mercado de revendedores, que não participaram da fabricação desses bens.
Segundo o e Bay, a imposição de tarifas pode levar revendedores a deixar de exportar para os Estados Unidos, enquanto consumidores norte‑americanos tenderiam a comprar produtos novos, potencialmente produzidos sob as condições de distorção identificadas pelo USTR. Essa mudança de demanda poderia tornar a política ineficaz para eliminar as práticas brasileiras alvo da investigação.
Em conjunto, as manifestações de Coca‑Cola, Tesla e e Bay pedem ao USTR que reavalie a proposta de tarifa, destacando os riscos de aumento de custos, interrupções nas cadeias de suprimento e impactos negativos para consumidores e indústrias nos Estados Unidos.
Fonte: CNN Brasil Economia
