CNI prevê demissões, inflação e perdas econômicas com o fim da escala 6×1

Manifestação da entidade: o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a proposta gera insegurança jurídica e perdas de competitividade.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) se pronunciou após a aprovação no Senado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e põe fim à escala 6 x 1, classificando a medida como altamente preocupante.

Para a CNI, “a medida causará perdas econômicas, demissões, repasse de custos para a população e inflação em todo o país”.

A entidade ainda ressalta que o avanço da matéria em pleno período eleitoral representa um grave retrocesso para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

A avaliação técnica da CNI destaca que a alteração legislativa atinge diretamente um país que já enfrenta entraves estruturais históricos, como baixos índices de produtividade e perda de competitividade das empresas nacionais no mercado internacional.

“Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados”, disse Alban. “Após a constatação, por exemplo, da perda de competitividade e da alta inflacionária, acreditamos que o Congresso Nacional possa abrir espaço para revisitar o tema visando encontrar a melhor solução para a economia brasileira”.

A redução da jornada para 40 horas semanais, com manutenção dos salários, elevará os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e provocará queda de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 76,9 bilhões.

Os preços ao consumidor terão alta média de 6,2%, impactando compras em supermercados, que podem ficar 5,7% mais caras. Os produtos industrializados terão alta média de 6%, com roupas e calçados podendo registrar aumento de 6,6%.

De acordo com a CNI, além de gerar insegurança jurídica, a PEC da 6 x 1 atinge todo o setor produtivo, que precisará ajustar a produção e aumentar os custos em meio a um cenário econômico adverso, marcado por pesada carga tributária e juros estratosféricos. “Para o cumprimento da medida, a indústria terá de fazer uma série de adaptações em suas escalas e a reorganização do processo produtivo”, concluiu a Confederação em nota.

Fonte: Metrópoles Brasil

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