A retirada do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 pode colocar em risco cerca de 109 mil empregos no Brasil e reduzir em R$ 21,8 bilhões a produção doméstica em 2026, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta quarta‑feira (26). Em nota técnica sobre o fim da chamada “taxa das blusinhas”, a CNI analisou o impacto da medida sobre o volume e o valor das remessas de pequeno valor que entram no país pelo Programa Remessa Conforme.
A CNI projeta que a desoneração eleve em 28% a quantidade de remessas, fazendo com que as importações via Remessa Conforme alcancem R$ 23,6 bilhões, um avanço de 65,7% em relação a 2025.
Com a cobrança do imposto, o montante ficaria em R$ 16,6 bilhões, representando alta de 16,2%. A mudança, portanto, tende a ampliar em 42,3% o valor das compras internacionais de pequeno valor.
O estudo indica que, para cada R$ 1 gasto com produtos importados nesse formato, deixam de ser gerados R$ 3,11 ao longo das cadeias produtivas nacionais, impactando sobretudo a indústria de transformação, que concentra a maior parte dos bens adquiridos, como eletrônicos, roupas e itens de consumo.
Como esses produtos competem diretamente com a produção nacional, cerca de dois terços das perdas estimadas concentram‑se no setor de transformação. A CNI avalia que a medida cria uma distorção tributária ao favorecer importações de baixo valor em detrimento da produção doméstica.
O fim da cobrança está previsto na Medida Provisória nº 1.357/2026, em tramitação no Congresso Nacional. Nesta quarta‑feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, reuniram‑se no Palácio da Alvorada para alinhar a tramitação da MP, com objetivo de priorizar sua análise no esforço concentrado do Congresso previsto para o fim de agosto e início de setembro, antes que a MP perca validade no começo do mês.
Fonte: Metrópoles Brasil
