A Polícia Federal realizou, na quinta-feira (9), a décima fase da Operação Compliance Zero, que investiga suposta atuação coordenada em redes sociais para comprometer a credibilidade do Banco Central.
Segundo o analista de Segurança Pública da CNN, Elijonas Maia, a PF identificou ao menos 40 perfis que divulgaram conteúdos atacando a instituição.
As investigações apontam para a contratação de influenciadores digitais e de páginas na internet com o objetivo de disseminar narrativas favoráveis ao Banco Master e críticas ao Banco Central.
O publicitário Thiago Miranda surge como figura central nesse segmento da apuração, sendo apontado como responsável pela contratação dos perfis no chamado ‘Projeto DV’, cujas iniciais remetem a Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal abriu, no início deste ano, um inquérito para apurar a atuação de Miranda no projeto. Mensagens trocadas entre Vorcaro e Miranda foram encontradas no celular do ex-banqueiro.
Em depoimento à PF, Miranda confirmou ter contratado os perfis, mas alegou que a iniciativa não visava atacar instituições, descrevendo-a como um plano de gestão de crise elaborado após a liquidação do Banco Master, em novembro do ano passado, e a prisão de Vorcaro, apresentado ao ex-banqueiro logo após sua soltura.
O publicitário estimou que os valores pagos pelos contratos chegam a cerca de R$ 8 milhões.
A investigação mapeou uma linha do tempo de 9 de dezembro do ano passado a 6 de janeiro deste ano, constatando que as 40 páginas compartilhavam o mesmo discurso: críticas ao Banco Central, defesa de Vorcaro e retrato do Banco Master como vítima do sistema financeiro, alegando que o Banco Central e o governo agiriam contra a sociedade brasileira.
Entre os perfis identificados estavam páginas de fofoca e de nutrição que nunca haviam publicado conteúdo sobre bancos ou economia. Depoimentos desses representantes confirmaram negociação e contratação por parte de Miranda e de outro empresário de Brasília, também investigado.
A operação evidencia o suposto uso de canais digitais sem relação com o mercado financeiro para influenciar a opinião pública sobre questões financeiras, ampliando o escrutínio sobre o caso Master.
Fonte: CNN Brasil Política
