Campanha de Mailza pede investigação de suposta rede de ataques digitais

A campanha de Mailza ingressou com uma nova ação na Justiça Eleitoral para investigar indícios de atuação coordenada de perfis nas redes sociais contra a candidata e em benefício de Alan Rick na disputa pelo Governo do Acre. A representação nº 0601041-09.2026.6.01.0000 cita contas anônimas, páginas apresentadas como veículos de notícias e perfis que teriam publicado mensagens semelhantes contra Mailza.

A nova iniciativa ocorre após outra conta favorável a Alan Rick ter sido retirada do ar durante uma investigação eleitoral. O perfil @noticiasrbac, posteriormente rebatizado como @eusou10manim, apresentava-se como página informativa, mas publicava conteúdos favoráveis ao candidato e críticas contra Mailza sem identificar quem administrava a conta.

A apuração anterior tramita no processo nº 0600634-03.2026.6.01.0000. Dados obtidos junto à Meta e à operadora Claro permitiram identificar a conexão utilizada na administração do perfil e relacioná-la à enfermeira Priscila Cordeiro Lima. Alan Rick foi comunicado em 22 de agosto sobre as publicações apontadas como propaganda irregular. Segundo documentos apresentados no processo, não houve resposta à notificação nem manifestação pública de repúdio aos conteúdos.

A identificação da conexão, no entanto, não comprova eventual vínculo entre a responsável pelo perfil e a campanha de Alan Rick. Também não demonstra, por si só, que o candidato tenha criado, financiado ou administrado a conta.

Com base no padrão apontado na primeira investigação, a defesa de Mailza pediu agora a apuração dos perfis @acrenaveia e @acreempauta2026. Segundo a representação, as duas contas não apresentavam responsáveis identificados e eram utilizadas para divulgar acusações, montagens depreciativas e conteúdos relacionados à vida pessoal e familiar da candidata.

Ainda de acordo com a ação, o perfil @acreempauta2026 apresentava-se como página de notícias e havia sido criado em julho, pouco antes do início da campanha eleitoral.

O histórico do novo processo registra que três advogados ligados à defesa de Alan Rick consultaram a ação antes das alterações verificadas nas contas denunciadas. A proximidade temporal foi mencionada pela campanha de Mailza, mas não comprova que os advogados, Alan Rick ou integrantes de sua campanha administrassem os perfis ou tenham determinado a retirada ou modificação das páginas.

Segundo informações apresentadas no processo, após essas consultas o perfil @acreempauta2026 passou a utilizar o nome @acredofuturo, mudou sua identidade visual e tornou-se privado. A conta @acrenaveia, por sua vez, deixou de ser localizada na plataforma.

A representação também passou a incluir uma gravação que reúne comentários publicados por 47 contas diferentes em uma mesma postagem. A defesa de Mailza afirma ter identificado frases semelhantes, manifestações favoráveis a Alan Rick e ataques concentrados contra a candidata.

Algumas dessas contas, segundo a ação, não apresentavam publicações ou seguidores, utilizavam nomes de usuário aparentemente aleatórios e apareciam identificadas como perfis recém-criados.

Entre as mensagens citadas pela campanha estão frases como “Alan Rick nunca faria um negócio desse”, “acabou com o Acre” e “apoiadora de agressor”, além de acusações relacionadas a suposto uso de dinheiro público.

Para a defesa de Mailza, a repetição de mensagens por perfis com características semelhantes pode indicar atuação coordenada. A hipótese ainda depende da análise de dados técnicos e de eventual confirmação pela Justiça Eleitoral.

Na ação, a campanha pede que a Meta preserve os registros das contas, identifique seus responsáveis e forneça informações como números de telefone, endereços de IP, alterações de nomes e possíveis vínculos administrativos entre os perfis.

A defesa também solicita que os dados sejam comparados com os elementos obtidos na investigação envolvendo o perfil @noticiasrbac.

Mesmo após o desaparecimento ou alteração das contas, a campanha de Mailza informou que pretende manter as medidas judiciais para tentar identificar quem criou e administrou os perfis, apurar eventual organização ou financiamento por terceiros e verificar possíveis vínculos políticos.

Até o momento, os elementos apresentados não permitem atribuir antecipadamente a autoria ou a administração dos perfis a Alan Rick, a seus advogados ou à sua campanha.

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