Campanha de Flávio aciona TSE após alta nas buscas por ‘Bolsonaro mandou matar Lula’

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) levou ao Tribunal Superior Eleitoral uma nova disputa envolvendo a mobilização digital de apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo a defesa, o acionamento da Corte ocorreu depois que integrantes do canal Exército do Lula receberam orientações para pesquisar termos específicos no Google e publicar hashtags no X, entre eles a expressão “Bolsonaro mandou matar Lula”.

O documento foi apresentado nesta terça‑feira (20), a cinco dias do segundo turno. Os advogados alegam que as ações tinham como objetivo interferir artificialmente nos indicadores de interesse das plataformas e pedem providências contra Google, X e Meta.

Na petição, a campanha afirma que o canal administrado pelo deputado André Janones passou a instruir seguidores a realizar determinadas pesquisas no Google e a impulsionar hashtags nas redes sociais. “Os termos ordenados chegaram ao Google Trends como ‘aumento repentino’ e ao topo dos assuntos do momento no X”, destacou a defesa.

O registro indica que Janones anunciou a estratégia na tarde de terça‑feira, sendo o primeiro termo citado exatamente aquele que relaciona Bolsonaro ao plano contra Lula. Em material reproduzido no processo, o deputado explicou aos seguidores a lógica da mobilização: “É importante vocês também pesquisarem, porque ajuda a subir, e aí o algoritmo do Google entende que aquilo é relevante e vai estar cada vez mais alto na busca; ele próprio vai sugerir a busca”.

A defesa classifica esse comportamento como tentativa de amplificar artificialmente determinados assuntos. Essa interpretação representa a argumentação dos advogados e ainda depende de análise do TSE.

A manifestação ainda questiona a avaliação da Meta de que o WhatsApp não teria identificado sinais de “comportamento coordenado” no canal Exército do Lula. Para os advogados, as próprias mensagens apresentadas ao tribunal demonstram atuação organizada entre usuários.

O pedido solicita que a Meta informe quais providências adotou em relação aos conteúdos divulgados por Janones e à posterior circulação pelo canal. A campanha também requer informações da Google e do X sobre eventual amplificação coordenada entre 18 e 20 de outubro, incluindo a evolução temporal das pesquisas e publicações, as políticas aplicáveis contra spam e manipulação e as medidas adotadas pelas empresas.

A frase que ganhou destaque nas buscas faz referência ao “Plano Verde e Amarelo”, identificado pela Polícia Federal nas investigações sobre a tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022.

Em 2025, o general da reserva Mário Fernandes, que integrou a Secretaria‑Geral da Presidência durante o governo Jair Bolsonaro, admitiu ao Supremo Tribunal Federal ter elaborado o arquivo relacionado ao plano, que pretendia assassinar o presidente, o vice‑presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. Ele afirmou, porém, que o documento era apenas uma reflexão pessoal, que não havia sido compartilhado.

As investigações da Polícia Federal apontaram que o planejamento também envolvia militares ligados às Forças Especiais do Exército, conhecidos como “kids pretos”. O documento previa ações para dezembro de 2022, incluindo possibilidades de envenenamento e uso de armamento. A PF identificou ainda monitoramento de autoridades e declarou que o material havia sido impresso no Palácio do Planalto, afirmando que Jair Bolsonaro tinha “pleno conhecimento” do plano. Posteriormente, a Procuradoria‑Geral da República sustentou que o planejamento foi apresentado ao então presidente e que ele teria concordado com a iniciativa.

Fonte: Terra Brasil

Gostou deste artigo?

Facebook
Twitter
Linkedin
WhatsApp

© COPYRIGHT O ACRE AGORA.COM – TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. SITE DESENVOLVIDO POR R&D – DESIGN GRÁFICO E WEB