Brasileira processa empresa do youtuber MrBeast por assédio sexual e moral

A brasileira Lorrayne Mavromatis entrou com uma ação na Justiça por assédio sexual e moral contra a empresa MrBeast Industries, fundada por Jimmy Donaldson, mais conhecido como MrBeast, considerado o maior youtuber do mundo.

Em um vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira, 22, ela relata que trabalhou nos últimos três anos na companhia e que sofreu assédio por parte do CEO da empresa, James Warren. Em seu relato, Lorrayne afirma que chegou a ser chamada de burra na frente de sua equipe. 

“Desde o começo, gritaram comigo, me xingaram, fui chamada de burra na frente de toda a minha equipe depois de dar uma ideia de negócio, apenas para ter um homem dando exatamente a mesma ideia um minuto depois e ser elogiado”, diz. 

Segundo a brasileira, foi obrigada a participar de reuniões individuais na casa do CEO, sozinha. “Em uma sala no andar de cima, iluminada apenas por um abajur lateral e tive que escutar ele falando quão atraente e bonita eu era. O CEO também me disse que Jimmy, MrBeast, fica constrangido perto de mulheres atraentes: ‘Lorrayne, digamos que quando você está por perto e ele precisa ir ao banheiro, ele não está realmente usando o banheiro’”, aponta a mulher.

A partir desse momento, ela passou a mudar seu jeito e até como se vestia, numa tentativa de “desaparecer”. A situação piorou, conforme o relato, quando engravidou. Mesmo com a licença-maternidade aprovada pelo RH, foi pressionada a trabalhar. Ela relata ter participado de uma reunião de equipe dentro do hospital, já em trabalho de parto.

“Uma semana pós-parto, ainda me recuperando, com privação de sono, emocionalmente e fisicamente exausta, eu já estava de volta ao trabalho. Menos de um mês pós parto, passando por depressão pós-parto, eu tive que entrar em um avião. Voar para fora do país para trabalhar em uma filmagem do canal principal e deixar meu bebê recém-nascido para trás”, relata emocionada. 

A brasileira contou ainda ter sido demitida duas semanas após o retorno da licença. A justificativa que a empresa teria dado a ela foi: “Você é de um calibre alto demais para esta posição. Precisamos de alguém de um calibre mais baixo”. 

“Não tive a chance de me curar, tanto física quanto mentalmente. Hoje, estou entrando com uma ação judicial. Por todas as mulheres que enfrentaram o medo no ambiente de trabalho, que foram levadas a acreditar que precisavam escolher entre seus bebês e suas carreiras. Por todas as mulheres que foram silenciadas. Tentaram me silenciar o suficiente, mas chega”, finalizou.

De acordo com a revista People, Lorrayne apresentou uma queixa em um tribunal federal da Carolina do Norte, onde relata todas as situações que sofreu na empresa. Um porta-voz da Beast Industries negou veementemente as alegações de Mavromatis à People.

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