A política tem um curioso talento para repetir histórias — às vezes com os mesmos personagens e quase no mesmo palco. No Acre, um desses ciclos parece se desenhar novamente.
Em 2010, recém-eleito deputado federal, Márcio Bittar assumiu o comando do PSDB no estado. A reorganização interna do partido redefiniu forças e lideranças dentro da legenda.
Uma delas acabou perdendo espaço naquele momento: Tião Bocalom.
Até então, Bocalom era um dos nomes mais conhecidos do tucanato acreano, com disputas majoritárias no currículo e forte presença eleitoral em Rio Branco. Com a ascensão de Bittar ao comando do partido, o cenário mudou. O novo líder tucano passou a influenciar diretamente os rumos da sigla, e Bocalom acabou deixando o PSDB.
O tempo passou, as siglas mudaram e as alianças também.
Hoje, Márcio Bittar é senador da República e figura influente dentro do PL no Acre. Bocalom, por sua vez, é prefeito de Rio Branco e também está na mesma legenda.
Mas a história parece voltar a um ponto conhecido.
Nas próprias redes sociais, Bocalom afirmou que o PL não dará legenda para que ele dispute o governo do Acre em 2026. A decisão praticamente fecha a porta do partido para a pretensão eleitoral do prefeito — um movimento que, na política local, muitos associam à influência de Márcio Bittar dentro da sigla.
Diante disso, surge uma possibilidade carregada de simbolismo político: o retorno de Bocalom ao PSDB.
Se isso ocorrer, o roteiro terá um curioso efeito de espelho. Anos depois de deixar o partido em meio a uma disputa interna com Bittar, Bocalom pode acabar encontrando justamente ali o caminho para seguir na disputa política.
Ao mesmo tempo, o cenário também cria um desafio para o próprio senador. Bittar deve disputar a reeleição ao Senado, mas sem o apoio do grupo político ligado a Bocalom.
Além disso, nada indica, até agora, que ele estará no mesmo palanque do governador Gladson Cameli, que deve deixar o governo para disputar uma das duas vagas ao Senado em 2026.
Nesse tabuleiro ainda em movimento, Bittar já escolheu um palanque — mas não há garantia de que nele terá o espaço político que deseja.
