A nova projeção para 2026 incorpora mudanças nas estimativas para o PIB agropecuário (1,7% para 2,8%), industrial (2,3% para 1,5%) e de serviços (1,9% para 1,7%).
Do lado da demanda, o Banco Central reduziu a previsão de crescimento do consumo das famílias de 2,1% para 1,2% e elevou a do consumo do governo de 2,0% para 2,2%. A Formação Bruta de Capital Fixo passou de 1,5% para 2,0% e as importações de 2,0% para 3,5%, enquanto manteve a estimativa de crescimento das exportações em 3,0%.
Para 2027, a autarquia projeta crescimento de 0,5% no PIB agropecuário, 1,5% nos serviços e 1,3% no setor industrial. Na demanda, estima alta de 1,4% no consumo das famílias, 1,0% no consumo do governo, 1,5% na Formação Bruta de Capital Fixo, 1,5% nas importações e 2,0% nas exportações.
A desaceleração esperada para a agropecuária reflete riscos climáticos acima do habitual, sobretudo pela previsão de um episódio intenso de El Niño que pode reduzir a produtividade de culturas estratégicas. O setor ainda enfrenta preços elevados de insumos, alto endividamento dos produtores e a base comparativa deixada pela safra recorde de 2026.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, calculada sobre o IPCA acumulado em 12 meses, com centro em 3% e margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O alvo foi violado pela primeira vez em julho do ano passado, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou alta de 5,35% em 12 meses, acima do teto de 4,50% por seis meses consecutivos.
A probabilidade de a inflação de 2027 ultrapassar o teto da meta subiu de 28% para 33%, enquanto a chance de ficar abaixo do piso caiu de 6% para 4%. Para 2028, a probabilidade de superar o teto manteve‑se em 16% e a de ficar abaixo, em 12%.
O Banco Central destacou que o choque nos preços internacionais do petróleo e derivados tem efeitos primários sobre a inflação, apesar da reversão parcial de alguns preços. O aumento dos custos de insumos petroquímicos, fertilizantes e plásticos elevou pressões inflacionárias nas cadeias produtivas, e os spreads de gasolina e diesel permanecem altos, gerando incerteza nos preços ao consumidor.
Nas contas externas, o déficit em transações correntes foi revisado de US$ 56 bilhões para US$ 60 bilhões em 2026, equivalente a 2,3% do PIB. O superávit comercial foi ajustado de US$ 78 bilhões para US$ 75 bilhões, a renda primária passou de US$ 83 bilhões para US$ 85 bilhões, e o déficit na conta de serviços ficou em US$ 56 bilhões.
A autarquia indica que o déficit em transações correntes continuará sendo financiado pela entrada de Investimento Direto no País, mantendo a projeção de US$ 75 bilhões em IDP para 2026. Para 2027, projeta déficit de US$ 55 bilhões, superávit comercial de US$ 77 bilhões, déficit na conta de serviços de US$ 54 bilhões e déficit na renda primária de US$ 83 bilhões, com entrada de IDP ainda estimada em US$ 75 bilhões.
O cenário externo permanece vulnerável a riscos provenientes das políticas comerciais de parceiros, dos desdobramentos dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio e de eventos climáticos como El Niño. O Banco Central alerta que o El Niño pode gerar risco negativo para a produtividade agrícola em 2027, embora os impactos variem entre culturas e regiões, com efeitos mais adversos para milho, algodão e arroz, e compensações parciais para a soja.
Fonte: Estadão Economia
