A Polícia Federal continua a solicitar à AGU (Advocacia‑Geral da União) a apresentação de recurso contra a decisão do ministro André Mendonça, que determinou o compartilhamento dos dados brutos do caso Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), contendo, entre outras provas, a íntegra das quebras de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, do Lulinha e da lobista Roberta Luchsinger.
A ordem judicial também impede que sejam feitas alterações na equipe de investigação sem a comunicação ao relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal).
A corporação alega que a determinação viola sua autonomia investigativa e, há mais de um mês, procura o advogado‑geral da União, Jorge Messias, para tentar reverter a decisão do magistrado.
O chefe da AGU, por sua vez, defende que o governo deve buscar um diálogo nos bastidores a fim de chegar a um acordo com o ministro.
A cúpula da Polícia Federal, entretanto, insiste na necessidade de recorrer da decisão, fato que tem ampliado a crise entre o magistrado e a força a cada dia.
Os atritos surgiram no âmbito da investigação do INSS, especialmente porque a Polícia Federal demorou mais de sete meses para encaminhar ao ministro os dados das quebras de sigilo do filho do presidente.
O ministro havia determinado, em dezembro do ano passado, a retirada dos sigilos fiscal, bancário e telemático do presidente‑filho. A demora no compartilhamento das informações irritou o magistrado, que então exigiu a disponibilização dos dados brutos do processo.
A troca da coordenação da Polícia Federal responsável pela apuração do caso INSS também foi apontada como causa da crise. Interlocutores do ministro afirmam que a decisão não traz inovação e que, se a polícia insistir em estender a situação, acabará se expondo a falhas procedimentais e a mudanças desnecessárias na equipe investigativa.
Fonte: CNN Brasil Política
