A participação da Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Acre no 14º Congresso Brasileiro de Regulação colocou o estado em sintonia com alguns dos debates mais avançados do país sobre saneamento, energia, governança e qualidade dos serviços públicos. O encontro, realizado no Rio de Janeiro, reuniu representantes das 71 agências reguladoras brasileiras e mais de trezentos painelistas em três dias de programação.
O tema central do congresso — desenvolvimento econômico e social alinhado à preservação ambiental — guiou discussões sobre o papel das decisões técnicas na melhoria dos serviços essenciais. Para a Ageac, acompanhar o evento significou entender caminhos aplicáveis à realidade do Acre, onde desafios estruturais exigem regulação qualificada.
Com 316 trabalhos técnicos apresentados, os painéis abordaram áreas como transporte, inovação, comunicação pública e, principalmente, saneamento. Representantes da Ageac destacaram que as experiências compartilhadas ajudam a aprimorar a fiscalização e a gestão dos serviços no estado.
O presidente da autarquia, Luís Almir Brandão, avaliou que o congresso traz impactos diretos para a rotina da agência. “A busca por oportunidades de aprimoramento em nossas práticas regulatórias é essencial. Isso aprimora o desempenho dos serviços e expande caminhos para o crescimento econômico regional”, afirmou.
Nos debates sobre saneamento, foram apresentados modelos de fiscalização, certificações independentes e estratégias para lidar com os efeitos de eventos climáticos extremos — temas particularmente relevantes para a Amazônia. A assessora técnica executiva da Ageac, Ana Paula Macêdo de Lacerda, acompanhou os encontros e reforçou que o conteúdo dialoga com demandas estruturais do Acre. “Conhecer experiências bem-sucedidas em outras regiões nos ajuda a aprimorar a prestação de serviços de água e esgoto, adequando soluções às necessidades locais”, disse.
Os painéis também trataram da importância da linguagem simples, da comunicação acessível e da participação social na regulação. Para a ouvidora da Ageac, Ana Lúcia Ferreira, essas discussões mostram o papel central da escuta qualificada. “A troca de experiências apresentou novas formas de organizar o atendimento e transformar manifestações da sociedade em melhorias concretas nos serviços públicos”, afirmou.
Na área de energia, o engenheiro Leonardo Carneiro acompanhou debates sobre mercado livre, transição energética, impactos da reforma tributária e geração distribuída. Segundo ele, os temas dialogam diretamente com o histórico de isolamento elétrico do Acre. “Durante muitos anos o estado carregou o fardo de ser um dos poucos isolados do resto do país. Graças à evolução regulatória, esse cenário mudou, e os indicadores mostram isso”, destacou.
Leonardo reforçou ainda o potencial das energias renováveis para regiões remotas. “Elas mostram que é possível levar soluções sustentáveis a comunidades isoladas, unindo inclusão social, desenvolvimento e preservação ambiental.”
Os debates também ressaltaram que a realidade amazônica demanda regulação ajustada às particularidades regionais. Longas distâncias, clima extremo e limitações estruturais tornam a Região Norte um desafio permanente — e uma prioridade quando o assunto é desenvolvimento sustentável.
Fonte/Foto: Agência de Notícias do Acre
