A nova prisão do advogado Aluísio Veras de Almeida Neto trouxe de volta um caso ocorrido no mesmo motel há cerca de sete meses. Preso nesta segunda-feira (16) sob suspeita de estuprar e manter um jovem em cárcere privado, ele também é investigado por homicídio relacionado à morte registrada no estabelecimento em julho do ano passado.
Segundo a Polícia Civil, Aluísio Veras já havia sido indiciado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa pela morte de David Weverton Matos Araújo. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Judiciário em 2025, e o advogado respondia ao processo em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica.
O delegado Leonardo Ribeiro confirmou o indiciamento por homicídio. Durante interrogatório à época, o investigado afirmou não se lembrar do que teria ocorrido na noite da morte. A polícia avalia que o Ministério Público pode ter solicitado prisão preventiva também nesse caso.
Nova denúncia
A prisão mais recente ocorreu após um jovem peruano, de 18 anos, acionar a Polícia Militar denunciando que estava sendo mantido contra a própria vontade em um quarto de motel. Ele também relatou ameaças de morte e abuso sexual.
De acordo com o delegado Samuel Mendes, a equipe foi ao local após uma denúncia inicial de roubo. Ao verificarem os quartos, encontraram um deles com o banheiro trancado. Após tentativas de negociação, a porta foi arrombada.
Dentro do banheiro, os policiais encontraram o jovem escondido no box, chorando. O advogado estava próximo à pia. A vítima relatou que conheceu o suspeito por meio de um aplicativo de encontros e que o convite inicial era para consumir bebidas alcoólicas, mas que teria sido forçado a manter relações sexuais.
O advogado foi preso em flagrante e levado à Delegacia Central de Flagrantes. Em audiência de custódia realizada na Terça-feira (17), a Justiça converteu a prisão em preventiva. Ele foi encaminhado ao Batalhão de Policiamento Ambiental.
Morte no mesmo motel
Com a repercussão da nova prisão, a mãe de David Weverton decidiu se manifestar. O jovem foi encontrado morto no pátio do mesmo motel em julho do ano passado.
Na ocasião, a Polícia Militar informou que ele teria saído do quarto durante a madrugada e caído na calçada. Inicialmente, a causa da morte foi apontada como possível overdose.
Segundo a família, o laudo do Instituto Médico Legal também apontou traumatismo craniano provocado por forte impacto, com fratura no crânio. A mãe questiona a versão inicial e afirma que o filho apresentava diversos ferimentos.
Ela também disse que não foi informada sobre quem estava com o jovem no dia da morte e relatou que só recentemente conseguiu autorização para acessar o celular do filho. O caso segue sob investigação.
