Acre registra alta busca por canetas emagrecedoras na internet

A Acre está entre os estados que mais pesquisam por canetas emagrecedoras e outros medicamentos ligados ao emagrecimento, registrando média de 29,4 buscas por milhão de habitantes.

Mato Grosso do Sul lidera a classificação com 88,9 buscas por milhão, seguido por Mato Grosso (48,8), Distrito Federal (39,0), Alagoas (33,2) e Acre (29,4). As menores taxas foram observadas no Amapá (1,2), São Paulo (2,5), Rio de Janeiro (3,6) e Minas Gerais (4,0).

De acordo com o Google Trends, as buscas concentram‑se nos medicamentos Tirzec, TG, Lipoless, Lipoland e Retatrutide, realizadas nos últimos 12 meses, entre quatro de maio de 2025 e três de maio de 2026, em todas as unidades federativas do país.

Essas informações foram compiladas no estudo “Saúde em risco na era digital: desinformação, automedicação e busca por canetas emagrecedoras não autorizadas no Brasil”. No caso da Retatrutide, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou que a substância ainda está em fase de pesquisa clínica e não foi aprovada para uso terapêutico em nenhum país.

Após um período inicial de estabilidade, as buscas cresceram de forma contínua entre junho de 2025 e janeiro de 2026, com aumento médio de 6,29% por semana. Em seguida, a tendência estabilizou‑se, porém em patamar elevado.

A explosão das buscas online ocorreu paralelamente ao aumento das apreensões realizadas por autoridades brasileiras. Segundo a Polícia Federal, Mato Grosso do Sul é uma das principais rotas de entrada e distribuição de medicamentos sem autorização sanitária, concentrando cerca de 60% das apreensões no país. A Receita Federal apreendeu 2,7 mil unidades em 2024, aproximadamente 32 mil em 2025 e 25 mil nos dois primeiros meses de 2026, totalizando cerca de R$ 51 milhões em produtos retidos.

A comercialização de medicamentos falsificados ou sem aprovação sanitária para emagrecimento representa ameaça crescente à saúde pública. No Reino Unido, já foram registradas notificações de pancreatite e óbitos associados ao uso de alguns desses produtos. No Brasil, a Anvisa investiga eventos adversos e mortes relacionadas ao consumo de produtos não aprovados.

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