Mesmo com queda em relação ao ano anterior, o Acre encerrou 2025 com 514 armas de fogo apreendidas, um volume que mantém o estado em patamar elevado de retirada de armamentos ilegais de circulação. Os dados constam no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça.
O número representa uma redução de 11,53% na comparação com 2024, quando foram apreendidas 581 armas. A diminuição, no entanto, não indica uma mudança estrutural no cenário da criminalidade armada no estado. Ao longo do ano, as forças de segurança mantiveram um nível consistente de apreensões, com maior concentração no segundo semestre, especialmente no último trimestre.
O perfil do armamento recolhido reforça essa leitura. A maioria das apreensões envolve armas de uso comum, como pistolas, revólveres e espingardas, que seguem como os principais instrumentos associados a crimes urbanos e domésticos. Também aparecem no balanço armas de maior poder ofensivo, como carabinas, um fuzil e um rifle. Embora em quantidade reduzida, esses itens chamam atenção pelo alto potencial letal.
No cenário nacional, o Acre não figura entre os estados que lideram o ranking de apreensões em números absolutos. Unidades federativas mais populosas concentram volumes muito superiores. O Ceará, por exemplo, ultrapassou 6,6 mil armas apreendidas em 2025, aparecendo entre os estados com maior retirada de armamentos no país.
Essa diferença precisa ser analisada à luz do tamanho populacional. Estados com milhões de habitantes tendem a registrar números absolutos mais elevados, o que não permite comparação direta apenas pelo total de apreensões.
Quando o recorte é proporcional à população, o dado do Acre ganha outro peso. Em 2025, o estado registrou cerca de 58 armas apreendidas para cada 100 mil habitantes. No Ceará, essa taxa ficou em torno de 71 apreensões por 100 mil moradores. A diferença é significativa, com o índice acreano aproximadamente 19% menor, mas ainda assim indica um volume relevante de circulação de armas ilegais no território estadual.
Especialistas em segurança pública avaliam que a combinação entre queda anual moderada e manutenção de índices elevados sugere um cenário de estabilidade, e não de superação do problema. A presença constante de armas ilegais, inclusive de maior calibre, aponta para a necessidade de ações permanentes de fiscalização, inteligência e prevenção.
Em síntese, embora o Acre não lidere os rankings nacionais, os dados de 2025 mostram que o estado segue convivendo com um nível significativo de circulação de armas, suficiente para manter o tema como prioridade na agenda da segurança pública.
