Um acordo sem precedentes que permite aos Estados Unidos garantir acesso a um quinto das reservas de petróleo da Venezuela está gerando dúvidas e hesitações entre empresas petrolíferas que avaliam investimentos no país, segundo fontes citadas pela Reuters.
Em comunicado divulgado na noite de segunda‑feira (31), a Casa Branca detalhou que a empresa privada NABEP (North American Blue Energy Partners) receberá concessão de 100 anos sobre 17 campos venezuelanos, que somam cerca de 65 bilhões de barris de reservas.
Os EUA deterão 35% das ações da controladora da NABEP, terão garantidos 20% da produção de petróleo e gozarão de direito de preferência na compra de toda a produção remanescente.
A NABEP é controlada pelo empresário venezuelano Alejandro Betancourt, alvo de investigações de autoridades americanas e europeias por negócios anteriores com o governo venezuelano, embora nunca tenha sido indiciado. Ele nega as acusações.
Grandes companhias petrolíferas e investidores estrangeiros que negociam a migração de contratos temem sentar à mesma mesa que Betancourt, afirmou uma fonte envolvida nos preparativos de um evento que deve culminar na assinatura de contratos de energia nesta semana. A NABEP produz cerca de 170 mil barris por dia e pretende elevar a produção para mais de um milhão de barris diários no curto prazo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem buscado convencer empresas como Exxon Mobil e Conoco Phillips a investir na Venezuela, apesar de ambas terem deixado o país em 2007 após a nacionalização de seus ativos pelo governo de Hugo Chávez e continuarem exigindo segurança jurídica e respeito aos contratos.
Trump declarou à imprensa que a Exxon está entre as empresas que irão para a Venezuela, sem oferecer detalhes. A Exxon Mobil não se pronunciou quando questionada, enquanto porta‑voz da Conoco Phillips reiterou que qualquer decisão de investimento dependerá de estabilidade política e do Estado de Direito.
Especialistas alertam que a estrutura planejada e os ativos que a NABEP poderia acumular podem colocar empresas americanas em concorrência direta com o próprio governo dos EUA, dificultando a meta de Trump de ampliar a produção venezuelana para suprir reservas americanas, segundo Alejo Czerwonko, diretor de investimentos em mercados emergentes do UBS. Radhika Bansal, vice‑presidente sênior da Rystad Energy, apontou que ainda há muitas incógnitas e elementos confusos que podem impedir a atração de investidores.
Paralelamente, a Chevron – maior produtora de petróleo dos EUA na Venezuela – junto com a italiana Eni, a indiana ONGC, a colombiana Geo Park e a norte‑americana GE Vernova, estão prestes a negociar acordos para projetos de energia nesta semana, informou a Reuters. Licenças recentes concedidas à Shell e à BP para grandes projetos de gás offshore também avançam, mas são independentes da iniciativa americana com a Nabep. A Chevron busca acrescentar ao seu portfólio pelo menos um novo bloco no Cinturão do Orinoco e negociar uma área em Monagas Norte que poderia servir como fonte de diluentes para sua produção de petróleo extrapesado.
Fonte: CNN Brasil Economia
