Semaglutida em comprimido tem o mesmo efeito da caneta? Confira

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na quarta-feira (4) a versão em comprimidos do medicamento Wegovy, à base de semaglutida, para o tratamento da obesidade. Até então, o medicamento era disponibilizado no Brasil apenas na forma injetável.

A nova opção oral de 25 mg apresentou resultados semelhantes aos da versão injetável de 2,4 mg, de acordo com estudos clínicos. A principal diferença está na forma de administração: o comprimido deve ser tomado diariamente, enquanto a injeção é aplicada semanalmente.

Um dos estudos mais relevantes, o OASIS 4, publicado em setembro de 2025 no periódico científico The New England Journal of Medicine, acompanhou adultos com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma complicação relacionada ao peso. Os participantes receberam semaglutida oral de 25 mg diariamente ou placebo, além de orientações sobre alimentação e atividade física.

Após 64 semanas, o grupo que recebeu o medicamento apresentou uma redução média de 13,6% do peso corporal, enquanto o grupo placebo teve uma perda de 2,2%. Em uma análise que considerou apenas os participantes que permaneceram no tratamento, a redução média chegou a 16,6%.

A comparação com o estudo STEP 1, que avaliou a semaglutida injetável, também indicou resultados semelhantes, embora a análise tenha sido indireta, baseada em pesquisas distintas.

A versão oral do Wegovy exige cuidados específicos para garantir a absorção adequada. O comprimido deve ser tomado pela manhã, em jejum, com uma pequena quantidade de água. Após a ingestão, é necessário aguardar pelo menos 30 minutos antes de comer, beber ou usar outros medicamentos.

Os efeitos adversos mais comuns estão relacionados ao sistema gastrointestinal, como náuseas, diarreia e constipação. No estudo OASIS 4, esses eventos foram registrados em 74% dos participantes que receberam semaglutida oral, contra 42,2% do grupo placebo. A maioria das reações foi de intensidade leve ou moderada.

A aprovação da Anvisa contempla adultos com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma condição de saúde relacionada ao excesso de peso. O tratamento deve ser associado a uma alimentação com redução de calorias e à prática de atividade física, sob acompanhamento médico.

A chegada do comprimido amplia as opções de tratamento, mas a escolha da apresentação depende das características clínicas, da tolerância ao medicamento e das necessidades de cada paciente. A comercialização do medicamento no Brasil depende da estratégia de lançamento da fabricante, a Novo Nordisk, e ainda não há uma data específica de chegada às farmácias nem um preço oficial para o mercado nacional.

Fonte: Terra Saúde

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