O uso de colírios oftalmológicos contendo bimatoprosta para fins estéticos tem se espalhado nas redes sociais, atraindo pessoas que desejam cílios mais longos e volumosos. Especialistas alertam que a prática pode trazer sérios riscos à visão e à pele das pálpebras.
Esses medicamentos foram desenvolvidos originalmente para tratar glaucoma e reduzir a pressão intraocular. O efeito colateral de prolongar a fase de crescimento dos fios acabou popularizando o produto fora do ambiente clínico.
Os médicos ressaltam que a substância é um fármaco ativo, não um cosmético inofensivo. Aplicá-la sem avaliação ou acompanhamento médico expõe a região ocular e a pele delicada das pálpebras a reações adversas graves, transformando a tendência de beleza em perigo potencial.
Segundo o oftalmologista Antônio Sardinha, o uso inadequado pode causar vermelhidão, coceira, ardência, sensação de areia e até reativar infecções como herpes ocular. “O produto pode reativar herpes ocular e piorar inflamações internas, como a uveíte”, afirma o especialista.
Além disso, o uso indiscriminado pode reduzir artificialmente a pressão intraocular, mascarando o glaucoma e atrasando seu diagnóstico, o que pode levar à cegueira irreversível.
A dermatologista Juliana Botelho, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, alerta que a exposição da pele fina das pálpebras pode desencadear dermatites e periorbitopatia, doença que afeta os tecidos ao redor dos olhos. Segundo o relato, a substância pode gerar uma série de alterações estruturais e anatômicas que deixam a região orbital com aspecto de olho fundo, encovado e pálpebra caída. Ela acrescenta que o escurecimento permanente da íris, sobretudo em olhos claros, e danos às glândulas de Meibômio, responsáveis pelo olho seco e inflamação crônica, também são possíveis.
A compra de colírios manipulados ou importados pela internet, sem prescrição médica, aumenta consideravelmente os riscos, pois o consumidor perde o controle sobre concentração, pureza e esterilidade do frasco, ficando vulnerável a infecções graves de córnea e contaminações.
Especialistas lembram que os resultados estéticos não são permanentes. Ao interromper o uso, os fios retornam gradualmente ao tamanho original. Juliana Botelho indica alternativas cosméticas, como séruns à base de peptídeos, pantenol e outros hidratantes, que não contêm análogos de prostaglandinas. “A prioridade deve ser sempre a segurança da região ocular”, conclui.
Fonte: Metrópoles Saúde
