Emagrecedores: 71% de anúncios no Mercado Livre têm indícios de infração

Um monitoramento realizado pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) apontou indícios de irregularidades em 1.865 dos 2.624 anúncios de produtos para emagrecimento analisados no Mercado Livre, o que corresponde a 71% da amostra estudada.

Os problemas identificados incluíam promessas de efeitos medicinais para suplementos, informações incompletas sobre a composição e nomes semelhantes aos de medicamentos já reconhecidos.

Dos anúncios avaliados, nove em cada dez – 2.362 – foram classificados como suplementos alimentares. Dentro desse grupo, 70% apresentaram ao menos uma ocorrência de irregularidade, sendo a mais frequente a promessa de efeito terapêutico ou medicamentoso, citada em 1.141 anúncios.

“Suplemento alimentar não é medicamento. O consumidor não pode comprar um suplemento acreditando que está levando para casa um produto com efeito medicamentoso”, afirmou Sérgio Mena Barreto, CEO da Abrafarma.

O nutricionista e sanitarista Clayton Personnaz explicou que suplementos complementam a alimentação com nutrientes autorizados, mas sua utilidade depende dos ingredientes, das doses e das necessidades individuais, e que a regularização da categoria não garante eficácia no tratamento da obesidade.

O levantamento também registrou 538 anúncios que faziam referência a nomes como “Monjauro de Pobre”, “Ozempik”, “Monjaru” e “Ozemcaps”, além de prometer perda de cinco quilos em sete dias ou até 30 quilos em um mês.

Para Mena Barreto, a semelhança dos nomes e as promessas exageradas podem induzir o consumidor a acreditar que um suplemento tem os mesmos efeitos de um medicamento, ainda que não haja evidência que sustente a comparação.

O monitoramento classificou 950 anúncios como “produto não seguro, origem ilícita ou atividade ilegal”. Cerca de 70% desses casos apresentavam ausência de declaração da fórmula nos campos analisados, o que impede a avaliação da segurança e das possíveis interações com outros medicamentos.

Foram encontrados ainda 136 anúncios com avaliação atribuída a profissional de saúde não identificado, 11 com suposta aprovação sanitária falsa e 11 que alegavam segurança absoluta, sem comprovação.

Personnaz alertou que, sem conhecer os ingredientes e as quantidades, não é possível avaliar riscos como palpitações, elevação da pressão arterial, alterações da glicemia ou lesões hepáticas, que podem surgir dependendo da composição.

A análise identificou 260 anúncios que continham ao menos uma substância não autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para suplementos, como sene, cáscara‑sagrada, garcínia cambogia, berberina, sinefrina e Cissus quadrangularis. O uso indiscriminado de laxantes como sene e cáscara‑sagrada pode provocar cólicas, diarreia, desidratação e perda de sais minerais, especialmente potássio, com risco de fraqueza muscular e arritmias.

O estudo partiu de 7.067 anúncios encontrados em buscas relacionadas ao emagrecimento. Após a exclusão de resultados fora do objetivo, 2.624 foram analisados por três profissionais, com auditoria por amostragem. A Abrafarma defende a retirada de produtos irregulares, a rastreabilidade e respostas rápidas das plataformas, além de que a responsabilidade sanitária e a dispensação de medicamentos devam permanecer com as farmácias, inclusive nos canais digitais.

Em nota, o Mercado Livre afirmou que mantém regras de publicação, monitoramento e equipes especializadas para identificar e retirar produtos que contrariem suas políticas ou normas aplicáveis, e que colabora com as autoridades. A empresa informou que 99,7% das infrações aos seus Termos e Condições são barradas proativamente por inteligência artificial, enquanto 0,3% exigem atuação conjunta com as empresas envolvidas.

Fonte: Metrópoles Saúde

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