Riscos de buscar alívio em suplementos para efeitos do Ozempic

Para Allison Vecchio, de 42 anos, os medicamentos à base de GLP-1 foram “um botão de reset na vida”, mas a um preço: efeitos colaterais como desconforto gastrointestinal, unhas quebradiças e sensação de fraqueza tão intensa que, às vezes, ela não conseguia sair da cama.

Mas a enfermeira do pronto-socorro de Fort Pierce, na Flórida, disse que os sintomas diminuíram quando começou a tomar um coquetel de suplementos que incluía fibras, colágeno e eletrólitos — um conjunto que custa de US$200 a US$300 por mês.

“É preciso realmente assumir o controle” para transformar a mera perda de peso em melhoria na saúde, afirmou.

Medicamentos à base de GLP-1, como o Ozempic e o Wegovy, da Novo Nordisk, estão entre os maiores avanços médicos dos últimos anos, devido à sua eficácia no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, além de reduzirem o risco de doenças cardíacas.

Cerca de 10 milhões de norte-americanos os utilizaram no ano passado, um número que pode chegar a 25 milhões até 2030, de acordo com uma pesquisa do JPMorgan.

Seus efeitos colaterais, porém, têm levado muitas pessoas a recorrer a suplementos alimentares pouco regulamentados.

As vendas de suplementos nos EUA dispararam nos últimos anos, ultrapassando US$74 bilhões em 2025, de acordo com o Nutrition Business Journal.

Embora os usuários confiem plenamente neles, sua crescente popularidade — impulsionada em parte pelas redes sociais — tem feito com que médicos levantem alertas e que órgãos reguladores considerem novas regras sobre como esses produtos chegam ao mercado.

Vitaminas e suplementos não precisam de aprovação prévia da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), o que torna difícil avaliar sua credibilidade científica.

Com influenciadores das redes sociais desempenhando um papel cada vez maior na promoção desses produtos, alguns pesquisadores médicos têm pedido mais regulamentação do marketing online de suplementos.

Rob Fried, presidente-executivo da Niagen Bioscience, que registrou US$129 milhões em vendas no ano passado, alertou que as empresas “podem contratar um influenciador, ou até mesmo centenas de influenciadores no Tik Tok… para fazer qualquer afirmação que ajude a vender”.

Vecchio tem 25 mil seguidores no Tik Tok e mantém contrato com três marcas. Ela também é membro do programa de criadores Health Pro da Tik Tok Shop, reservado a profissionais de saúde licenciados.

Terri Hart, 52, moradora de Pittsburg, no Kansas — uma Tik Toker com mais de 12.000 seguidores — trabalha principalmente com comissão, analisando os produtos que as marcas disponibilizam aos influenciadores e promovendo aqueles que ela considera que mais a ajudaram.

Hart toma magnésio, eletrólitos, vitamina B12 e outros suplementos, que, segundo ela, ajudaram a compensar o que chamou de “horríveis” náuseas, fadiga e constipação após começar a tomar GLP-1 em 2023. Eles custam cerca de US$110 por mês, despesas que o plano de saúde não cobre. A renda do Tik Tok alivia esse peso, diz Hart.

Ela diz que deixa claro que não é profissional da área médica e incentiva os seguidores a conversarem com médicos antes de seguirem seus conselhos. “Eu estabeleço minha autoridade por meio da minha experiência de vida”, disse Hart.

A Tik Tok Shop gerou mais de US$1 bilhão em vendas de suplementos alimentares em 2025, ou 5,4% de todas as vendas de suplementos no comércio eletrônico, de acordo com o Nutrition Business Journal, enquanto as vendas gerais de vitaminas e suplementos nos EUA cresceram 5% em 2024 e 7% no ano passado.

Os produtos estão “atraindo novos consumidores e ampliando as rotinas já estabelecidas de uso de suplementos”, disse Erika Craft, analista de dados do Nutrition Business Journal.

Mas, na ausência de aprovação prévia da FDA, as pessoas não sabem exatamente o que há em muitos suplementos, disse Jonathan Bonnet, professor clínico associado em Stanford e diretor médico do Ardmore Institute of Health, em Ardmore, Oklahoma.

“Se você não consegue saber o que está tomando, é difícil saber quais riscos está correndo”, disse ele.

Quase metade dos usuários de GLP-1 começou a tomar novas vitaminas e suplementos após iniciar o tratamento, de acordo com uma pesquisa do Nutrition Business Journal, sendo probióticos, proteínas e fibras particularmente populares.

Uma pesquisa com consumidores realizada pelo Boston Consulting Group neste ano revelou que os usuários de GLP-1 gastam cerca de 20% a mais em proteínas, fibras e colágeno — uma proteína que ajuda a manter a estrutura da pele — do que antes de começarem a tomar os medicamentos.

Fonte: G1 Saúde

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