“Tenho vida novamente”, diz homem com depressão após 15 tipos de tratamento

Recuperação do paciente: Ivo Rockenbach, 58, iniciou as aplicações de escetamina intranasal em 10 de outubro de 2024 e já relata melhora na disposição e na rotina.

Durante mais de dez anos, o homem passou por cerca de quinze tratamentos diferentes para a depressão, sem alcançar uma melhora duradoura. A doença comprometia o trabalho, afastava o convívio social e tornava decisões cotidianas, como escolher uma roupa, difíceis.

Além de reduzir a energia e o interesse, a depressão provocava alterações no sono, dificuldade de concentração, lentificação do pensamento e prejuízos na aprendizagem e na tomada de decisões, conforme dados do Ministério da Saúde.

Desde a infância, Ivo tinha dificuldade para se relacionar e quase não estabelecia amizades. Seus pais buscaram acompanhamento psicológico, mas não obtiveram diagnóstico conclusivo. Ele acreditava que o problema fosse apenas timidez.

Nos anos seguintes, experimentou diferentes medicamentos e combinações de tratamentos. Em alguns momentos recuperava a disposição, mas os sintomas retornavam, gerando sentimentos de desespero e fracasso.

Em 2024, a médica Yasmin de Andrade identificou depressão resistente ao tratamento e prescreveu escetamina intranasal, com acompanhamento da psicoterapeuta Karine Furlanetto, especialista que atua em Santa Catarina. A condição é definida como falta de resposta satisfatória a pelo menos dois antidepressivos de classes distintas, usados em doses e períodos adequados durante o mesmo episódio depressivo.

A escetamina atua sobre o sistema de glutamato, favorecendo a formação e reorganização das conexões neuronais. O tratamento intranasal é administrado em ambiente clínico ou hospitalar, associado a um antidepressivo oral e sob supervisão médica, exigindo monitoramento por possíveis elevações temporárias da pressão arterial, sedação, tontura, náuseas e alterações na percepção.

Algumas horas após a primeira aplicação, Ivo sentiu bem‑estar que não experimentava há anos, conseguiu acompanhar a esposa a uma festa de aniversário e passou a considerar 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental, seu “segundo aniversário”. Ele afirma que o novo tratamento devolveu a vida.

Aposentado há cerca de um ano, Ivo retomou a restauração de uma motocicleta antiga, projeto interrompido desde 2017 e que havia considerado vender. O hobby foi reativado há aproximadamente três meses, trazendo-lhe interesse pelo convívio social e disposição para atividades complexas. “A retomada deste projeto representa uma óbvia vitória pessoal”, declara.

Fonte: Metrópoles Saúde

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