Apenas 22,7% dos médicos (2 em cada 10) consideram que as redes de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) do Sus (Sistema Único de Saúde) têm disponibilidade totalmente adequada de medicamentos essenciais para pacientes.
Na rede privada, que inclui hospitais vinculados a planos de saúde, a percepção de suficiência sobe para 57,7%.
Os números provêm do levantamento “Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras”, realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e divulgado nesta quinta‑feira (22).
Segundo o estudo, 16,1% dos médicos avaliaram a oferta de medicamentos nas unidades públicas como inadequada ou totalmente inadequada (nota de 0 a 2), enquanto no setor privado esse percentual foi de 3,8%.
A pesquisa contou com 2.338 participantes, que atribuíram notas de 0 a 5 a diferentes itens considerados essenciais ao funcionamento das UTIs, como infraestrutura, leitos e medicamentos.
As redes particulares foram as melhor avaliadas. As notas negativas nas unidades públicas foram até quatro vezes maiores que nas privadas, e o padrão de maior negativação se repetiu em 12 dos 13 aspectos analisados.
Mesmo nas categorias que receberam nota máxima (5), o Sus ficou atrás: a suficiência de leitos alcançou 24,1% nas públicas contra 51,4% nas privadas. Protocolos de atendimento e conduta, 23,1% versus 40,2%. Equipe multiprofissional especializada, 23,0% versus 39,2%. Protocolos de passagem de plantão, 14,5% versus 27,8%. Fluxos de gerenciamento de pacientes entre setores, 11,1% versus 26,5%. Enfermeiros especializados em terapia intensiva, 16,9% versus 25,1%. Interconsulta com outras especialidades, 15,4% versus 36,3%. E interação com equipes de outros setores, 14,5% versus 30,7%.
O presidente da AMIB, Cristiano Franke, destacou que os dados revelam uma desigualdade estrutural persistente entre os sistemas público e privado, que deve ser tratada como prioridade. “A diferença da percepção entre os médicos dos setores público e privado tem origem na capacidade de resposta que as equipes encontram para atender um paciente crítico. Isso envolve leito disponível, mas também remédios em mãos e protocolos bem estabelecidos para cada momento da assistência, entre outros itens. A redução dessa desigualdade estrutural precisa entrar na agenda de prioridades da saúde pública brasileira”, enfatizou Franke.
A associação pretende levar o diagnóstico a gestores e autoridades de fiscalização, cobrando a adoção das recomendações do inquérito. “Não basta fazermos apenas o diagnóstico da diferença de condições entre as UTIs públicas e privadas brasileiras, é necessário traçar estratégias para agir e modificar esse cenário. O inquérito aponta claramente um caminho: investir
Fonte: CNN Brasil Saúde
