Encontrar um verme nas fezes de uma criança já é motivo de preocupação para pais, e no caso de uma menina atendida na Flórida, nos Estados Unidos, a surpresa foi ainda maior: o parasita não era uma lombriga nem uma tênia, mas um verme normalmente encontrado em ratos.
A menina apresentava-se bem, sem febre ou alterações perceptíveis. O verme, com aproximadamente 7 centímetros, foi encontrado durante a troca de fralda e encaminhado para análise.
A identificação revelou Moniliformis, conhecido como verme de cabeça espinhosa. A pista que ajudou a entender como ele chegou ao organismo apareceu depois, quando a mãe lembrou de um episódio ocorrido semanas antes.
O caso foi descrito por médicos na revista BMJ Case Reports, em 2025. Embora a infecção seja rara em humanos, a história mostra como um detalhe da rotina pode ajudar a esclarecer um diagnóstico incomum.
A família informou que houve o registro de ter encontrado uma barata na boca da menina cerca de um a dois meses antes, além de ter retirado dois ratos de um galpão da propriedade aproximadamente quatro meses antes.
A ligação chamou a atenção porque Moniliformis vive habitualmente em roedores, mas também pode se desenvolver dentro de insetos, como baratas e besouros. A infecção em humanos pode ocorrer quando alguém ingere acidentalmente um inseto contaminado.
Não foi possível confirmar se a barata estava infectada nem se a menina chegou a engoli-la. A hipótese, portanto, não foi comprovada.
Os médicos suspeitaram inicialmente de uma tênia, mas orientaram a família a aguardar a identificação do verme antes de administrar o medicamento prescrito. Após a confirmação do parasita, um especialista recomendou o pamoato de pirantel.
A menina recebeu três doses, com intervalos de duas semanas. Duas semanas após a última dose, o exame de fezes não detectou ovos nem parasitas, e os vermes deixaram de aparecer.
Segundo os autores do relato, ainda não existe um tratamento padronizado para essa infecção. O resultado foi favorável nesse caso, mas um único episódio não permite definir a melhor conduta para todos os pacientes.
Crianças pequenas exploram o ambiente com as mãos e a boca, o que pode facilitar o contato acidental com insetos. Embora a infecção descrita seja rara, o episódio reforça a importância de evitar a presença de baratas e roedores nos locais onde elas vivem e brincam.
A infecção pode não provocar sintomas além da eliminação do verme nas fezes. Em outros casos descritos na literatura, houve dor abdominal, diarreia e vômitos.
Se encontrar um verme na fralda ou nas fezes, procure o pediatra. Se possível, guarde o material em um recipiente limpo e bem fechado para facilitar a identificação e conte ao médico se a criança teve contato com insetos.
Dor abdominal persistente, vômitos repetidos, diarreia importante ou sinais de desidratação também justificam avaliação médica. Dificuldade para respirar ou alteração da consciência exige atendimento de emergência.
O relato não indica que essa infecção seja comum, mas mostra por que observar o que uma criança coloca na boca e compartilhar esses detalhes com o pediatra pode fazer diferença na investigação de um problema de saúde.
Fonte: Terra Saúde
