Quem vem à sua mente quando você pensa em alguém emocionalmente inteligente?
Para muitas pessoas, essa pessoa é uma mulher, e a ideia de que as mulheres são mais hábeis nesse aspecto está tão difundida que a psicologia popular a trata como um fato.
Para testar essa suposição, pesquisadores analisaram quase três décadas de estudos, de 1995 a 2023, abrangendo 76 países e envolvendo mais de 600 mil participantes.
A conclusão principal indica que, em média, as mulheres obtêm pontuações superiores de inteligência emocional em relação aos homens.
A vantagem feminina concentra‑se sobretudo na capacidade de reconhecer os sentimentos alheios, compreender suas causas e oferecer apoio adequado, como perceber o choro de uma criança, notar o silêncio de um colega após uma ideia rejeitada ou aliviar a tensão de uma negociação.
O estudo apresenta médias calculadas a partir de centenas de milhares de indivíduos, não previsões sobre qualquer pessoa específica, e demonstra que nem todos os homens são incapazes nem todas as mulheres são excelentes nessa habilidade.
Embora não se possa descartar totalmente fatores biológicos ou hormonais, dois padrões apontam para influências sociais: a diferença entre os sexos é bem menor em crianças que em adultos, e o hiato tem diminuído ao longo das três décadas analisadas, o que não seria esperado se fosse determinado desde o nascimento.
Pesquisas complementares revelam que pais costumam usar um vocabulário mais amplo de termos emocionais com as filhas e as incentivam a refletir e expressar seus sentimentos, enquanto os meninos são mais frequentemente orientados a suprimir emoções, o que favorece a prática precoce das habilidades sociais nas meninas.
Uma meta‑análise de 2019, que reuniu 58 estudos, constatou que a inteligência emocional pode ser treinada e que o gênero não interfere na eficácia do aprendizado, indicando que homens também podem desenvolver essas competências.
No ambiente de trabalho, a tendência de atribuir silenciosamente às mulheres a responsabilidade de gerir tensões e apoiar colegas cria uma obrigação não remunerada e raramente reconhecida nas avaliações de desempenho, o que sugere a necessidade de nomear e recompensar esse trabalho nas políticas de promoção e avaliação.
Fora do escritório, a mesma lógica se aplica nas famílias e amizades, onde quem percebe o humor de um amigo, entra em contato sem ser solicitado ou pergunta sobre o dia de um familiar está realizando um trabalho emocional que costuma ser tomado como garantido, reforçando a importância de oferecer a todos a oportunidade de praticar e valorizar essa habilidade.
Fonte: G1 Saúde
