Mudanças bruscas de clima impactam a circulação e o coração; entenda riscos

Além de influenciar a escolha das roupas, mudanças bruscas de clima podem representar riscos à saúde. Quando a temperatura varia drasticamente em poucas horas, o organismo ativa mecanismos que afetam a circulação sanguínea, o coração e o sistema respiratório.

De acordo com o especialista Herik Oliveira, da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), o corpo modifica a mecânica dos vasos para manter a temperatura interna. “No calor, ocorre vasodilatação. Os vasos se dilatam para liberar o calor interno. Isso pode provocar queda na pressão arterial e acúmulo de líquido nas pernas e nos pés. Já no frio, o efeito é o oposto: a vasoconstrição faz com que os vasos se contraiam para reter calor, elevando a pressão arterial e exigindo mais esforço do coração”, explica o médico.

O que acontece no corpo?

O médico explica que as mudanças bruscas de temperatura provocam reações diferentes nos sistemas do organismo.

No sistema respiratório, a transição rápida entre calor e frio desidrata e irrita as vias aéreas, favorecendo sintomas como espirros, coriza, tosse, rouquidão e dor de garganta.

No sistema cardiovascular, a variação térmica altera a mecânica dos vasos sanguíneos: o frio provoca vasoconstrição e eleva a pressão arterial, enquanto o calor provoca vasodilatação, o que pode levar à queda da pressão, tonturas e até desmaios.

A pele e o sistema imunológico também sofrem impactos.

O ressecamento do ar pode causar coceiras e irritações cutâneas, enquanto a queda temporária na imunidade deixa o corpo mais vulnerável a infecções virais, como gripes e resfriados.

Quem é mais vulnerável a essas mudanças?

As mudanças climáticas abruptas podem afetar qualquer pessoa, mas a adaptação ao clima não ocorre na mesma velocidade para todos.

Os grupos que exigem maior atenção nesses momentos incluem: – Crianças: têm o sistema de termorregulação ainda em desenvolvimento, menor autonomia para se proteger e maior dificuldade para verbalizar sede. – Idosos: com o envelhecimento, a percepção de sede e a eficiência cardiovascular podem diminuir, retardando a resposta às mudanças de temperatura. – Pessoas com doenças crônicas: pacientes com asma, rinite, bronquite ou problemas cardíacos podem enfrentar sobrecarga súbita. – Populações vulneráveis: quem vive em situação de vulnerabilidade socioeconômica pode ter acesso restrito a abrigo adequado, refrigeração, saneamento e cuidados de saúde.

O que fazer?

Em dias de calor intenso, as orientações são: – Movimento: evite longos períodos na mesma posição e caminhe de 5 a 10 minutos para estimular a circulação. – Elevar as pernas: posicione os membros inferiores ao nível do coração por 10 a 15 minutos, algumas vezes ao dia, para reduzir o inchaço. – Ajustar treinos: prefira exercícios leves ou moderados pela manhã ou no fim da tarde, em locais bem ventilados. – Alimentação e hidratação: mantenha a ingestão de água constante e reduza o consumo de sal e gordura para conter a retenção de líquidos.

Para dias de frio mais intenso: – Proteja as extremidades: use meias térmicas e luvas. – Mantenha mãos e pés aquecidos para evitar choque térmico nos vasos periféricos. – Hidrate-se: a sensação de sede pode diminuir, mas a necessidade de água permanece. – Estimule o corpo: atividades físicas leves ajudam a aquecer o organismo e a melhorar a circulação.

Caso ocorram tonturas frequentes, oscilações bruscas de pressão arterial ou crises respiratórias intensas, procure atendimento médico para investigar possíveis doenças que possam ser agravadas pelas mudanças climáticas.

Obs.: A investigação é fundamental para identificar doenças que possam ser agravadas pelo clima.

Fonte: CNN Brasil Saúde

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