Uma análise abordada pela Harvard Health mostra que a resposta é mais complexa. As evidências não confirmam que tomar café da manhã facilite a perda de peso. Por outro lado, também não permitem tratar o simples hábito de pular a refeição como uma estratégia garantida para emagrecer.
A justificativa mais comum para comer logo ao acordar é a ideia de que a refeição “acende” o metabolismo, fazendo o organismo gastar mais energia ao longo do dia. Segundo a Harvard Health, essa explicação não encontra respaldo nas pesquisas disponíveis.
Outra crença difundida afirma que quem pula o café da manhã chega às próximas refeições com tanta fome que acaba compensando as calorias “economizadas”, ou até ingerindo mais. É justamente nesse ponto que os resultados dos estudos se tornam relevantes.
Pesquisadores australianos reuniram 13 ensaios clínicos randomizados que investigaram a relação entre o café da manhã, o peso corporal e a ingestão energética. Esse tipo de estudo permite comparar grupos de forma controlada, reduzindo a influência de outros hábitos cotidianos.
Dez dos 13 trabalhos analisados avaliaram a ingestão calórica diária. Após um período médio de duas semanas, os participantes que tomaram café da manhã consumiram cerca de 260 calorias a mais por dia em relação aos que pularam a refeição, colocando em dúvida a ideia de que a ausência do primeiro alimento levaria a uma compensação exagerada mais tarde.
Sete estudos examinaram mudanças no peso corporal. Em média, após aproximadamente sete semanas, quem fez o café da manhã apresentou cerca de 1,2 libra – ou 540 gramas – a mais que os que não comeram, tanto entre indivíduos com peso normal quanto entre os com sobrepeso.
Os próprios autores ressaltam limitações importantes: os participantes sabiam a que grupo pertenciam, os períodos de acompanhamento variavam e as amostras incluíam universitários, funcionários de hospitais e a população geral. Além disso, o tipo de café da manhã não foi padronizado, abrangendo opções como cereais de arroz, flocos de trigo e aveia.
Dessa forma, não há evidências consistentes para recomendar o café da manhã como estratégia específica de perda de peso. Estudos observacionais que associam o hábito a um peso mais saudável não provam relação de causa e efeito, pois podem refletir outros comportamentos e rotinas mais regulares.
Se você gosta de tomar café da manhã e mantém uma alimentação equilibrada, não há motivo para abandonar a refeição apenas por questões de balança. Da mesma forma, quem não sente fome ao acordar não precisa se obrigar a comer acreditando que isso “acelerar o metabolismo”.
O principal recado das evidências analisadas é evitar os extremos: o café da manhã não é fórmula mágica para emagrecer, assim como pular a refeição não constitui solução milagrosa. Mais importante é observar como os horários das refeições se encaixam na rotina e influenciam a alimentação como um todo. Para quem busca perder peso, uma única refeição dificilmente determina o resultado final.
Fonte: Terra Saúde
