Air fryer e micro-ondas fazem mal à saúde? Descubra o que diz a ciência

A praticidade da air fryer e do micro-ondas transformou esses eletrodomésticos em grandes aliados na rotina dos brasileiros. Além de acelerar o preparo das refeições, a air fryer permite cozinhar diversos alimentos com pouca ou nenhuma adição de óleo, enquanto o micro-ondas aquece rapidamente o que já está pronto.

Com a popularização desses aparelhos, surgiram dúvidas sobre possíveis impactos negativos à saúde. Questões sobre a segurança dos métodos de aquecimento, a perda de nutrientes e a formação de substâncias durante o preparo passaram a gerar preocupação, exigindo esclarecimentos sobre o funcionamento de cada equipamento e os cuidados necessários.

A ideia de que a air fryer pode causar câncer é um mito. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que a acrilamida, substância que pode se formar em alimentos ricos em carboidratos expostos a altas temperaturas, não é exclusiva desse aparelho. Ela também aparece em fornos, frituras por imersão e torradeiras. O oncologista Tiago Kenji, do Hospital Santa Paula, destaca que as evidências científicas ainda não comprovam relação conclusiva entre a ingestão habitual de acrilamida e o desenvolvimento de câncer em humanos. O risco está mais associado ao padrão alimentar e ao estilo de vida como um todo, e não ao uso isolado de um eletrodoméstico.

Quanto à comparação entre a air fryer e a fritura por imersão, a especialista em nutrição Paula Naomi Tujimoto, do Hospital Brasília Águas Claras, confirma que a redução do óleo utilizado na air fryer diminui o valor calórico das preparações. Contudo, isso não torna o alimento intrinsecamente mais saudável, sobretudo quando se trata de produtos industrializados e ultraprocessados, que continuam apresentando altos teores de sódio, gorduras e aditivos. O consumo frequente desses itens está ligado ao aumento de obesidade, hipertensão, diabetes tipo dois e doenças cardiovasculares, independentemente da forma de preparo.

A formação de compostos potencialmente prejudiciais aumenta quanto maior o tempo de exposição ao calor e a temperatura empregada, segundo a Anvisa. Alimentos como batatas ou torradas que ficam muito escuros ou carbonizados tendem a gerar mais acrilamida. No caso das carnes, o contato direto com chamas intensas favorece a produção de substâncias indesejáveis. Por isso, recomenda‑se evitar que fiquem excessivamente queimadas e retirar as partes tostadas antes do consumo. A nutróloga Paula Machado Guidi, do Hospital Samaritano Higienópolis, reforça que controlar a temperatura, reduzir o tempo de cocção e evitar a carbonização são medidas simples para minimizar esses riscos.

O micro‑ondas utiliza radiação não ionizante, responsável apenas por aquecer os alimentos. Diferente da radiação ionizante, ela não altera o DNA nem torna os alimentos radioativos. Quando usado conforme as instruções do fabricante, o aparelho é considerado seguro, e não há evidências científicas que associem seu uso ao aumento do risco de doenças, conforme explica a nutróloga.

Nenhum método de preparo preserva integralmente todos os nutrientes, mas o micro‑ondas costuma usar menos água e requer menos tempo, o que pode favorecer a conservação de vitaminas sensíveis ao calor. O impacto nutricional depende principalmente do tipo de alimento, da temperatura e do tempo de preparo, e não do equipamento em si, segundo a nutricionista Paula Naomi Tujimoto.

Na prática, o micro‑ondas pode ser uma alternativa interessante para cozinhar ou aquecer rapidamente legumes, verduras, descongelar e reaquecer refeições prontas, desde que sejam utilizados recipientes adequados, como potes de vidro, e o tempo de exposição ao calor seja controlado. Para alimentos como arroz, feijão e carnes já cozidas, o aparelho também pode ser usado no reaquecimento, desde que o alimento tenha sido armazenado e aquecido corretamente.

Fonte: Terra Saúde

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