Útero com malformação pode passar anos sem sintomas e afetar gravidez

Uma mulher pode passar boa parte da vida sem saber que nasceu com um útero de formato diferente.

A condição costuma ser descoberta por acaso, durante um ultrassom de rotina, ou somente quando surgem dificuldades para engravidar ou complicações na gestação. As malformações uterinas congênitas, como o útero unicorno e o bicorno, têm origem no desenvolvimento embrionário, quando os ductos de Müller não se unem completamente.

É importante reforçar que a mulher já nasce com essa alteração. Ela não desenvolve um útero bicorno ou unicorno ao longo da vida”, explica a ginecologista Grazielly Teles, especialista em endometriose e saúde integral da mulher, em Campinas e Atibaia (SP). Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), as malformações uterinas afetam entre 3% e 5% da população, embora a frequência exata seja difícil de determinar porque muitas mulheres permanecem assintomáticas.

No útero unicorno apenas um lado se desenvolve adequadamente, resultando em um órgão menor e assimétrico. Já no bicorno, os dois lados se formam, porém não se unem totalmente, deixando a parte superior dividida em duas porções que lembram a forma de um coração. Algumas pacientes apresentam ainda um pequeno corno rudimentar do lado oposto.

A maioria das mulheres não apresenta sinais clínicos e pode viver anos sem saber da malformação, descobrindo-a apenas ao realizar um exame ginecológico ou ultrassom. A presença da anomalia não impede a concepção natural. Muitas conseguem engravidar espontaneamente.

Ter útero unicorno ou bicorno não significa automaticamente infertilidade. A grande maioria das mulheres engravida naturalmente, embora a anatomia possa influenciar a gestação”, afirma a ginecologista Tatiana Berlinsky, do Instituto Gilberto Kocerginsky, em Curitiba (PR). Ela alerta que, em alguns casos, a forma uterina pode dificultar a implantação ou aumentar o risco de abortos espontâneos e partos prematuros.

Durante a gravidez, o espaço e o formato da cavidade uterina podem interferir no desenvolvimento fetal, exigindo acompanhamento mais próximo por um obstetra especializado em gestação de alto risco. O risco de aborto espontâneo e de parto prematuro é maior nesses pacientes, o que justifica o monitoramento intensivo ao longo de toda a gestação.

O diagnóstico começa com o ultrassom ginecológico, que pode levantar a suspeita. A ultrassonografia tridimensional e a ressonância magnética permitem visualizar detalhadamente a cavidade e o contorno externo do útero, sendo essenciais para diferenciar útero bicorno de útero septado, já que o tratamento varia conforme o tipo de anomalia.

De acordo com a Febrasgo, mulheres com útero unicorno geralmente não são candidatas à correção cirúrgica. No caso do bicorno, a cirurgia para unificar os cornos é reservada a situações específicas, como abortos recorrentes sem outra causa identificada. A remoção do septo uterino por histeroscopia pode ser indicada em casos de útero septado. Assim, a descoberta de uma malformação não implica necessariamente em cirurgia ou em recurso imediato à reprodução assistida. O plano de tratamento deve ser definido a partir do diagnóstico preciso, do histórico reprodutivo e dos objetivos da mulher.

Fonte: Metrópoles Saúde

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